EX-GENRO LISTA GASTOS "ASTRONÔMICOS" DE EX-PRESIDENTE DO TRT PAULISTA
Da Redação | 26/04/1999, 00h00
Os gastos do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, passaram a ser "astronômicos" depois de iniciada a construção do forum trabalhista de primeira instância, obra sob suspeição de superfaturamento que já consumiu mais de R$ 230 milhões. A afirmação foi feita pelo ex-genro de Nicolau, Marco Aurélio, nesta segunda-feira (dia 26), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Poder Judiciário.Marco Aurélio descreveu os gastos realizados por Nicolau, principalmente a partir de fevereiro de 1994, quando o ex-presidente do TRT-SP comprou um apartamento avaliado em US$ 1 milhão em Miami, nos Estados Unidos. Além disso, Marco Aurélio, que conviveu por mais de sete anos com a família de Nicolau, apontou outras despesas que seriam incompatíveis com o salário recebido por um juiz.Nicolau, disse Marco Aurélio, durante uma viagem de 25 dias que fez com a família a Miami, onde se hospedou no melhor hotel, foi ciceroneado por Lauro Bezerra, que o ajudou a comprar um apartamento na cidade. Como sua ex-sogra não queria "um apartamento que já tivesse sido habitado", Nicolau, por indicação de Bezerra, comprou uma cobertura em edifício em fase de conclusão. Marco Aurélio revelou que o juiz foi o terceiro a adquirir uma cobertura no edifício - as outras duas foram compradas pelo tenor espanhol Plácido Domingo e pela cantora norte-americana Whitney Houston.Segundo Marco Aurélio, Bezerra teria sido apresentado ao juiz pelo dono da Construtora Incal - responsável pela obra do TRT em São Paulo -, Fábio Monteiro de Barros Filho. O depoente afirmou ainda que a relação entre o empresário e o juiz, antes de iniciada a obra, era apenas social. Posteriormente, teria passado a ser profissional, com reuniões na casa de Nicolau, inclusive em finais de semana.O apartamento, afirmou Marco Aurélio, não está registrado em nome de Nicolau, mas de uma empresa off shore, montada por um advogado indicado por Lauro Bezerra. Porém, depois de uma briga com o cicerone, presenciada pelo depoente e motivada pelo fato de Nicolau não querer pagar a comissão devida a Lauro Bezerra, o ex-presidente do TRT-SP montou outra empresa off shore, com ajuda de um segundo advogado.Segundo o depoente, Nicolau era um aficionado por carros, tendo adquirido, em São Paulo e em Miami, diversos automóveis, cujos valores passavam de US$ 100 mil. Marco Aurélio disse ainda que o juiz viajava três a quatro vezes por ano à cidade norte-americana, sempre em companhia da mulher e, por vezes, da família, voando sempre de primeira classe. Em uma das viagens, afirmou, o ex-sogro chegou a ficar mais de três meses fora do país.Em resposta ao relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA), Marco Aurélio disse que, para burlar o fisco, Nicolau registrava os carros em nome de terceiros, como de um motorista e uma vendedora de uma loja de automóveis importados de São Paulo. Nicolau também teria, segundo o depoente, um carro em nome de um assessor do TRT. No caso de um automóvel Nissan, que teria custado US$ 150 mil, Marco Aurélio afirmou que foram gastos mais R$ 30 mil em acessórios. Porém, continuou, em um ano e meio, o carro havia rodado apenas mil milhas (cerca de 1,6 mil quilômetros).DECORAÇÃO E MANSÃOA lista de gastos de Nicolau não se limita a carros. Segundo Oliveira, a decoração do apartamento de Miami custou, segundo documento que apresentou à CPI, US$ 450 mil. As despesas com cartões de crédito também eram, de acordo com o depoente, altas e em várias ocasiões, o limite de crédito era liberado rapidamente.Apesar de acumular tal patrimônio, o ex-genro disse que Nicolau não costumava falar sobre seus bens, principalmente no tribunal. As filhas do ex-presidente do TRT alertavam, disse, que estava proibido o vazamento de informações sobre o apartamento em Miami, que era do conhecimento de um pequeno grupo de amigos.Nicolau, revelou Marco Aurélio, adquiriu ainda uma mansão em uma praia "fechada" de Guarujá (SP), depois do início das obras do prédio das juntas de conciliação e julgamento do TRT-SP. O depoente contou que, apesar de ser proprietário de um apartamento orçado em R$ 300 mil, Nicolau, por pressão de sua esposa, adquiriu um terreno por US$ 300 mil a US$ 400 mil, para ter acesso livre à praia freqüentada apenas por ricos empresários.Mais tarde, continuou Marco Aurélio, também por influência de sua esposa e apesar de já ter contratado projeto arquitetônico no valor de R$ 20 mil, Nicolau teria comprado um outro terreno, de frente para o mar, no valor de US$ 800 mil. Ainda insatisfeita, a ex-sogra, disse o depoente, pediu que fosse comprada uma casa já pronta. Como não havia imóvel à venda na região, Marco Aurélio informou que Nicolau comprou uma mansão de um "japonês", pela qual deu o apartamento, o terreno e mais US$ 800 mil. A casa, declarou o depoente, está registrada em nome do juiz por R$ 200 mil.Para o relator da CPI, o mais importante agora é comprovar as movimentações
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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