PROCURADORES MOSTRAM DOCUMENTOS "COMPROMETEDORES" E CPI ADIA MAUCH

Da Redação | 19/04/1999, 00h00

Reunida a portas fechadas nesta segunda-feira à noite (dia 19), a CPI do Sistema Financeiro decidiu suspender o depoimento, marcado para esta terça (dia 20), de Cláudio Mauch, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central. Durante a reunião, procuradores da República no Rio de Janeiro e no DF apresentaram documentos apreendidos no apartamento do ex-presidente do BC Francisco Lopes e que, segundo o relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), "são indícios de irregularidades envolvendo Chico Lopes". A reunião fechada realizou-se depois que o próprio Francisco Lopes pediu para adiar sua vinda à CPI, marcada para esta segunda-feira (19).João Alberto se disse "estarrecido" especialmente com um dos documentos, possivelmente assinado por Luís Augusto Bragança, ex-sócio de Francisco Lopes na empresa de consultoria Macrométrica. O conteúdo do documento, acrescentou o relator da CPI, é "tão comprometedor" que os senadores decidiram, antes de tomar qualquer atitude, submetê-lo a uma perícia grafotécnica para confirmar sua autoria. O documento, conforme João Alberto, indicaria um depósito de US$ 1,775 milhão em conta bancária no exterior.A CPI decidiu ainda enviar carta ao procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, elogiando a atuação e a seriedade dos procuradores que estão trabalhando nas investigações sobre a venda de dólares, a preços favorecidos, aos bancos Marka e FonteCindam. A CPI volta a se reunir, também a portas fechadas, nesta terça-feira, a partir das 10h.Ficou acertado que Francisco Lopes comparecerá à CPI às 16h30 da próxima segunda-feira (dia 26). O então diretor de Fiscalização do BC na administração de Francisco Lopes, Cláudio Mauch, deporá no dia seguinte, terça-feira (27). Na tarde desta segunda-feira (dia 19), a CPI se reuniu para ouvir Francisco Lopes. Ele não compareceu e enviou uma carta ao presidente da Comissão, senador Bello Parga (PFL-MA), pedindo adiamento "para os próximos 20 dias", alegando que vem "sofrendo violências" que culminaram "em uma ilegal busca e apreensão" de documentos feita em sua casa por procuradores do Ministério Público. Durante a discussão do pedido de adiamento, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse entender que Francisco Lopes está "chateado por terem entrado em seu apartamento para pegar documentos", ponderando, entretanto, que tudo foi feito com autorização judicial. "Ele diz que quer ficar no Rio para se defender das agressões que vem sofrendo, mas a melhor maneira de se defender é comparecendo à CPI", sustentou Simon.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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