SUPLICY CONDENA USO DA FORÇA PARA RESOLVER O CONFLITO NO KOSOVO
Da Redação | 06/04/1999, 00h00
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) condenou nesta terça-feira (dia 6) a decisão das forças da Organização do Atlântico Norte (Otan) de bombardear a Iugoslávia para acabar com as injustiças que a população do Kosovo está sofrendo. "Não se pode caminhar em direção à paz por meio da violência e da guerra, como bem observou o Dalai Lama, que visita o Brasil neste momento. Há, sempre, alternativas de negociação e persuasão", lembrou.Para Suplicy, o governo brasileiro deve se opor a essas ações de guerra e procurar agir na direção da construção da paz. Diante das sugestões da senadora Heloísa Helena (PT-AL) e do senador Geraldo Cândido (PT-RJ), Suplicy decidiu propor uma moção do Senado instando o governo se manifestar contrário às ações da Otan, "uma vez que estão conseguindo piorar ainda mais a situação dos refugiados na região dos Balcãs, além de desperdiçar bilhões de dólares que poderiam ser utilizados para minorar a fome e miséria mundiais ".De maneira emocionada, Suplicy lembrou o movimento liderado por Martin Luther King pregando a "resistência pela não-violência" para defender direitos civis dos negros nos Estados Unidos. "Ele obteve êxito e hoje é tão respeitado no país, que até existe um dia especial do ano em sua homenagem. Estou convicto de que essa estratégia dá resultado e sempre a recomendo a movimentos reivindicatórios brasileiros, como o MST", enfatizou.Suplicy cobrou da Mesa a votação de um requerimento do senador Lauro Campos (PT-DF) convocando o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, para explicar a mudança na posição do Brasil que, num primeiro momento, foi favorável às tentativas de negociação nos Bálcãs e depois acabou votando com os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU e aprovando uso das forças da Otan. "Duvido que a violência possa trazer a paz para a região. Há outros métodos de persuasão que devem ser tentados." Em resposta a Suplicy, o senador Ademir Andrade (PSB-PA), que exercia a presidência da sessão naquele momento, explicou caber ao presidente da Casa, senador Antonio Carlos Magalhães, a decisão regimental de incluir projetos e demais matérias na pauta. "Insistirei junto a ele para colocar, com urgência, o requerimento em votação, para que possamos ouvir as explicações do Chanceler sobre a posição da diplomacia brasileira na questão dos Bálcãs".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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