MARINA SILVA QUER MORATÓRIA SOBRE ENGENHARIA GENÉTICA
Da Redação | 31/03/1999, 00h00
A senadora Marina Silva (PT-AC) manifestou nesta quarta-feira (dia 31) sua preocupação com a engenharia genética, os organismos transgenicamente modificados, e seus possíveis danos à saúde pública, ao meio-ambiente e aos ecossistemas. A senadora pelo Acre apresentará, logo depois da Semana Santa, um projeto de lei instituindo a moratória de produção e experiências sobre organismos transgenicamente modificados, até que fique mais claro o quadro de benefícios e desvantagens. - Estou propondo, na verdade, um debate apaixonado sobre o tema, mas sem preconceitos ou idéias preconcebidas. A comunidade científica e a classe política devem discutir o assunto, sem se deixar levar por pressões de empresas transnacionais que querem, apenas, ganhar mais milhões - defendeu.A senadora ressaltou que sua posição não é isolada. Segundo Marina, recentemente o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, assinou decreto proibindo experiências desse tipo no estado.Para Marina, a Embrapa tomou uma decisão "no mínimo" apressada ao liberar a produção de soja transgênica no país. "A Europa ainda não aprovou a comercialização de organismos geneticamente modificados, por entender que seu impacto sobre a dieta alimentar, a agricultura e o meio ambiente não fora devidamente estudado. Se o 1º Mundo está reticente, por que vamos ficar na contramão?", indagou.Pouco se sabe, com certeza, sobre os produtos transgênicos, admitiu Marina. "Mas já se sabe não haver vantagem protéica ou vitamínica em relação aos produtos tradicionais. Há indícios de que podem causar alergias novas em animais e nos homens. Além disso, os possíveis danos aos ecossistemas e ao meio ambiente, causados por sementes que não podem se reproduzir, ficam cada dia mais evidentes."Para Marina Silva, alguns não compreendem a linguagem de preocupação com assuntos sociais, ambientais e de saúde pública. "Mas, certamente entendem os argumentos do mercado. Pois bem, produtos transgênicos podem ser objeto de boicote por parte de países que não os liberaram, como os da União Européia. Nossa soja e castanha do Pará, geneticamente modificadas, correm risco de não encontrar mercados internacionais que as importem", alertou a senadora pelo Acre.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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