SIMON: DOM HÉLDER, ACIMA DE TUDO, FOI MOVIDO POR SENTIMENTO RELIGIOSO
Da Redação | 23/03/1999, 00h00
Dom Hélder Pessoa Câmara, um dos principais opositores do regime militar e o cidadão brasileiro que mais sofreu o rigor da censura no período de arbítrio que vigorou no país após 1964, "foi sempre, acima de tudo, movido por um profundo sentimento religioso, cuja face mais visível era a solidariedade para com os mais fracos", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS) nesta terça-feira (dia 23).Em vários trechos de dois capítulos do livro O Deserto É Fértil, destacados pelo senador, Dom Hélder reitera sistematicamente que aqueles que não têm "surdez na alma", dotados de "antenas espirituais" e "grandeza d´alma", ouvirão o clamor e "os protestos silenciosos ou violentos" dos mais pobres, dos oprimidos, dos sem-vez e sem-voz. Estes, continuou Simon citando, porque sensíveis às injustiças da distribuição da riqueza característica de um país subdesenvolvido e às injustiças decorrentes das "relações entre países pobres e impérios capitalistas ou socialistas", não encontrarão facilidades em seu caminho, mas sentirão, "invisível, a sombra protetora do Pai".Por suas realizações, Dom Hélder foi praticamente banido dos meios de comunicação no período de arbítrio, tendo sido censurado na rádio da sua própria diocese, salientou Simon. Conforme reportagem da revista Veja, destacada pelo senador, entre 1964 e 1984, Dom Hélder fez 800 viagens ao exterior, nas quais concedeu centenas de entrevistas e proferiu incontáveis palestras. Na opinião de Simon, "foi nessas viagens que Dom Hélder acabou se constituindo no homem que mais danos causou à imagem externa do regime arbitrário aqui instalado".O silêncio erguido em torno do ex-arcebispo de Olinda e Recife só o fortaleceu, afirmou o senador, tanto que, em 1970, seu nome foi indicado para receber o Prêmio Nobel da Paz. O mesmo silêncio não impediu que Dom Hélder participasse da criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Campanha da Fraternidade e do Conselho Episcopal para a América Latina (Celam). Além disso, acrescentou Simon, "esteve alinhado entre os bispos que influenciaram o presidente Juscelino Kubitschek a instituir a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste - Sudene".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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