JOÃO ALBERTO: SITUAÇÃO DA MULHER É ÍNDICE DO GRAU DE CIVILIZAÇÃO DE UM POVO

Da Redação | 08/03/1999, 00h00

Apesar dos enormes avanços na situação das mulheres, "a lógica da civilização ainda mantém profunda conexão com a lógica da violência contra elas", afirmou o senador João Alberto (PFL-MA). Esse quadro, a seu ver, "precisa ser revertido, sob pena de os seres humanos perpetuarmos uma situação de civilização de fachada, instrumentalizada para camuflar uma interioridade repleta de truculência, de menosprezo, de humilhação, de exclusão e de desrespeito".Os dados da violência cometida contra as mulheres demonstram o quanto elas ainda estão longe de serem reconhecidas como pessoas, acrescentou. Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado em julho de 1998, a maior causa de lesões em mulheres de 15 a 44 anos, em todo o mundo, está na violência doméstica, afirmou o senador.No Brasil, pesquisa feita pelo Movimento Nacional pelos Direitos Humanos "detectou que mais de 66% das pessoas acusadas de homicídios contra mulheres eram seus parceiros", disse João Alberto. Esse dado, conforme o senador, coincide com outro estudo, realizado junto às delegacias da mulher, segundo o qual "85,5% dos casos de queixas registradas por violência física também apontam os parceiros como autores da agressão". João Alberto citou ainda pesquisa de 1991 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) nos registros de polícia do estado São Paulo, em que se verificou que "70% dos responsáveis pelos abusos sexuais contra crianças eram pais biológicos e 93% das vítimas eram meninas". O senador referiu-se também aos dados que apontam para gastos em torno de R$ 4 bilhões - "parcela não desprezível do PIB!" - por causa da violência doméstica, contabilizadas aí as despesas com tratamento médico, policiamento, custos processuais e queda da produtividade do trabalho.Esse quadro, na opinião de João Alberto, revela o quanto o imperativo da igualdade real entre homens e mulheres ainda está distante, o que, para ele, demonstra o quanto a civilização deve ser aprimorada para admitir "a presença da mulher na totalidade da riqueza do seu ser mulher".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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