HARTUNG DIZ QUE VAI LUTAR PARA QUE O ESPÍRITO SANTO SEJA RESPEITADO
Da Redação | 04/03/1999, 00h00
Em seu primeiro discurso como senador, Paulo Hartung (PSDB-ES) anunciou que vai lutar para que o Espírito Santo seja respeitado dentro da Federação. Para ele, as vantagens econômicas que o estado oferece ao país são anuladas pela desvantagem política que tem na discussão de um projeto nacional.- Aqui nesta Casa, vou lutar para que o Espírito Santo tenha vez e tenha voz. Não quero benesses, dispenso privilégios. Quero apenas que meu estado seja ouvido - disse Hartung da tribuna nesta quinta-feira (4).Os interesses do povo capixaba, continuou, muitas vezes foram desconsiderados no cenário nacional. Segundo o senador, se não fosse a construção do Porto de Vitória, iniciada há cem anos, a economia do estado não teria experimentado o crescimento que lhe foi proporcionado.Em aparte, o senador Gerson Camata (PMDB-ES) concordou com seu colega de bancada, ao avaliar que o Espírito Santo ficou à parte no processo de desenvolvimento, principalmente após a democratização do país.- Parece que existe no governo federal um movimento para criar estados centralistas e estados periféricos. Delegacias e órgãos públicos federais do Espírito Santo foram transferidos para o Rio de Janeiro. Está na hora de os estados periféricos começarem a advertir o governo federal para essa situação - disse Camata.Depois de fazer uma avaliação da economia capixaba, seus principais produtos e empresas, Hartung disse que, na sua avaliação, o crescimento do estado está ameaçado. O corredor Centro-Leste, por exemplo, capaz de escoar a produção de Minas Gerais e do Centro-Oeste, vem sendo preterido pela política de investimentos da União. CONSTITUIÇÃOO senador abordou ainda as "complicações institucionais" advindas da Constituição de 1988. Para ele, o processo de transição institucional, que culminou com a redemocratização, foi marcado por um grande equívoco em relação ao papel do Estado no desenvolvimento brasileiro.- A engenharia econômica retardou a abertura comercial e a modernização de nosso parque produtivo, o que depois acabou acontecendo de forma desorganizada e incompleta. A modernização feita de cima para baixo, socialmente excludente, ignorou o país de carne e osso, que continua no atraso - analisou.Hartung acredita que cabe aos políticos modernos, incluídos os de sua geração, fazer com que a reforma do Estado seja instrumento de uma política de igualdade de oportunidades.O senador Roberto Freire (PPS-PE), em aparte, disse que Hartung era um dos que entendem a necessidade de mudança do Estado, para ajudar a esquerda a se modernizar e a se apresentar como uma verdadeira opção de poder para o país.- Estamos nos afastando perigosamente do objetivo de um estado democrático moderno, forte, eficiente, transparente, descentralizado, motivado por prioridades claras, capaz de apoiar os setores estratégicos da economia e direcionar seus serviços para aqueles que mais necessitam - declarou o novo senador pelo Espírito Santo, que questionou o "fundamentalismo" do mercado e as fórmulas neoliberais.Os senadores Eduardo Siqueira Campos (PFL-ES), Antero de Barros (PSDB-MT), Luiz Estevão (PMDB-DF), Eduardo Suplicy (PT-SP), Osmar Dias (PSDB-PR), Ramez Tebet (PMDB-MS) e Ney Suassuna (PMDB-PB) apartearam o discurso de Paulo Hartung, desejando sucesso ao novo senador em seu mandato no Senado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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