TIÃO VIANA QUER AMPLA VACINAÇÃO CONTRA HEPATITE B
Da Redação | 01/03/1999, 00h00
Um alerta sobre os problemas causados pela hepatite B à população brasileira e a denúncia de que o Ministério da Saúde poderia ter evitado muitas mortes se viesse cumprindo programa de vacinação já estabelecido para todo o país, foram os temas de pronunciamento feito pelo senador Tião Viana (PT-AC) nesta segunda-feira (dia 1º). De acordo com Viana, dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) registram que dois milhões de pessoas no planeta morrem todos os anos vitimadas pela doença. No Brasil, a maior incidência de casos ocorre na região Norte, especialmente no Acre, Rondônia e Amazonas.Segundo o senador, que é médico com especialização em infectologia, a hepatite B manifesta-se de modo silencioso, "evoluindo, em regra, de dois a 30 anos para alcançar o estágio de cirrose e, algumas vezes, câncer". Tião Viana disse, ainda, que 25% das crianças de até sete anos atingidas pelo vírus serão portadores crônicos da doença.O senador apelou ao Ministério da Saúde para que trabalhe no sentido de estabelecer uma nova meta de vacinação para o país, pois, segundo informou, em 1990 o próprio ministério determinou que até 1995 toda a população amazônica estivesse imunizada contra a doença, e até 1998 todo o país tivesse a cobertura vacinal contra a Hepatite B. Na realidade, o ministério ficou bem aquém das metas estabelecidas, afirmou o senador. "Até hoje, metade das crianças da Amazônia ainda não recebeu a vacina", lamentou. Ele disse que, infelizmente, as dezenas de pessoas que lotam as enfermarias dos hospitais na região norte não sensibilizam as autoridades governamentais para cumprirem as recomendações internacionais sobre a imunização contra a doença. Na defesa da vacinação, o senador argumentou que o custo do tratamento de um doente com cirrose, motivada pelo hepatite B, pode chegar, em alguns casos, a até R$40 mil por ano, enquanto com a vacinação o governo gastaria menos de US$4 por dose. Além de outros benefícios, a vacinação "é uma medida de proteção e racionalidade na utilização dos recursos públicos", disse. Em aparte, o senador Carlos Patrocínio (PFL-TO) concordou com a análise de Viana e também defendeu a necessidade de uma urgente campanha de vacinação com abrangência nacional. Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) também participou do debate e observou que os registros sobre a doença são inferiores à realidade, referindo-se às pessoas que não recorrem às instituições oficiais para procurarem tratamento contra a doença. Ele disse temer que a doença se alastre de modo "violento".Os senadores Lauro Campo (PT-DF) e Marina Silva (PT-AC) parabenizaram o companheiro de partido pelo discurso, lembrando que Viana deverá dedicar especial atenção ao tema da saúde durante todo o seu mandato.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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