MIRANDA ELOGIA ESCOLHA DO DESEMPREGO COMO TEMA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Da Redação | 01/03/1999, 00h00

A escolha do tema "Sem emprego... Por quê?" pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Campanha da Fraternidade de 1999 recebeu elogios do senador Mauro Miranda (PMDB-GO). O parlamentar afirmou ser "reconfortante" saber que as autoridades eclesiásticas e a comunidade de fiéis estão apreensivos com um assunto que se agrava a cada ano e que se tornou uma preocupação universal. O senador recordou que a CNBB já trabalhara anteriormente com assuntos correlatos, como as campanhas "Trabalho e justiça para todos" e "Solidários na dignidade do trabalho". Agora, porém, o desemprego atinge níveis nunca vistos, tendo chegado, no ano passado, a 7% da População Economicamente Ativa (PEA).Mauro Miranda citou entrevista do arcebispo de Brasília, cardeal dom José Freire Falcão, em que este lembra que a Campanha da Fraternidade de 1999 não se limitará a denunciar os altos índices de desemprego, mas também "o liberalismo sem freios éticos e o agravamento da situação histórica da dependência econômica".O senador destacou a ênfase dada pela Igreja à necessidade de se empreender imediatamente a reforma agrária. Segundo Mauro Miranda, "as prioridades hoje se inverteram", porque, atualmente, "a principal justificativa para a aceleração da reforma agrária é gerar empregos e reduzir a pressão urbana por serviços públicos; o aumento da produção passa a ser o benefício adicional".O parlamentar afirmou que o Poder Público tem gasto elevados recursos em cestas básicas, assistência médica gratuita e seguro-desemprego, além de investimentos em segurança, habitação, saneamento e transporte público, devido ao inchaço nas grandes cidades.- Ademais, os ganhos de produção de uma reforma agrária não seriam desprezíveis, como alguns burocratas nos querem fazer crer - afirmou, lembrando que "o Brasil, que se preparava para ser o celeiro do mundo, hoje importa milho, arroz e feijão".Mauro Miranda pregou o incremento da construção civil, como forma de gerar empregos. Ele ressaltou que "o governo dispõe agora de instrumentos para a execução de programas mais audaciosos, notadamente o Sistema Financeiro Imobiliário, que não se submete ao engessamento do Sistema Financeiro Habitacional".O senador observou que, além de gerar emprego e renda, o aumento da atividade no setor de construção civil reduziria a "enorme pressão ocasionada pelo déficit habitacional, hoje estimado em 12 milhões de moradias".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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