ROCHA PERGUNTA COMO MANTER POLÍTICA RESTRITIVA SEM APROFUNDAR A RECESSÃO
Da Redação | 26/02/1999, 00h00
O senador Sebastião Rocha (PDT-AP) quis saber como Armínio Fraga pretende compatibilizar uma política monetária restritiva com um custo social mínimo. Segundo o parlamentar, essa política poderá aprofundar a recessão, lançando à rua hordas de desempregados.Em sua resposta, Fraga foi sucinto: afirmou ter a convicção de que a melhor maneira de se proteger o pobre é evitar a volta da inflação. O senador também quis saber a opinião de Fraga sobre as privatizações do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O indicado à presidência do Banco Central (BC) lembrou que o assunto não está na órbita de atuação da instituição. Mas ressalvou que há um grupo de estudo sobre a questão, no qual o BC tem assento e, assim, participará da discussão.Sebastião Rocha perguntou ainda se a amizade de Fraga com especuladores os impedirá de atacarem o Brasil. Fraga afirmou que sua indicação para o BC está atribuída a amizades com especuladores, mas a única que pode ter influído é sua relação de 20 anos com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, de quem foi aluno na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1978.O parlamentar então indagou se os ataques engendrados pelos fundos de investimentos comandados por George Soros contra a libra esterlina e algumas moedas asiáticas foram feitos dentro dos limites da ética e se eles agravaram a situação no Brasil. Fraga tergiversou à primeira indagação, mas lembrou que os fundos tiveram perdas em suas atividades na Indonésia e no Japão.Respondeu à segunda pergunta afirmando que houve conseqüências para o Brasil, graças ao "vínculo óbvio do capital que vai e volta". Mas não se poderia fazer uma vinculação a um fundo específico. Em sua opinião, o mercado será sempre muito maior do que qualquer dos fundos que nele atue. O sabatinado também negou qualquer conversa com dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) no momento de sua indicação para presidir o BC. Rocha quis saber sobre a política do Banco Central para com os bancos estrangeiros que atuam no país. Fraga afirmou esses bancos são tradicionalmente tratados como qualquer outra instituição financeira, sendo elas obrigadas a respeitar todas as exigências de nosso regime e nosso sistema.- Não vejo por que ser diferente - afirmou.Por fim, Fraga afirmou que o Banco Central estará atento à totalidade da economia no país, e toda decisão do BC visará o desenvolvimento do país como um todo.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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