DUTRA CONSIDERA "VEXATÓRIO" SABATINAR QUEM JÁ EXERCE O CARGO
Da Redação | 26/02/1999, 00h00
O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) considerou "vexatória" a situação do Senado, ao sabatinar um candidato à presidência do Banco Central que, na prática, já está exercendo o cargo e dispondo de informações sigilosas, já que, oficialmente, é assessor especial do ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Se seu nome for rejeitado, teremos a situação esdrúxula de Fraga poder voltar ao mercado financeiro, conhecendo nossos segredos financeiros", observou.Fraga, respondendo, disse que não recebeu informações sigilosas e internas do BC, justamente em respeito ao processo de votação de seu nome no Senado. "Fiz questão de conhecer, apenas, dados macroeconômicos." Dutra disse não acreditar nessa afirmação de Fraga, esclarecendo que vai apresentar proposta, juntamente com o deputado Aloísio Mercadante (PT-SP), para impedir que um candidato à presidência ou diretoria do BC possa ter acesso à economia brasileira antes de formalmente aprovado.Dutra quis saber o que Fraga faria se fosse presidente do BC naquela sexta-feira "fatídica" (29 de janeiro) em que o dólar explodiu e o então presidente Francisco Lopes não conseguiu conter a situação. Fraga fugiu da pergunta, argumentando ser difícil dizer o que se faria quando não se está vivendo a situação. "Lopes, que foi meu professor, certamente terá tomado as providências adequadas", garantiu.O senador por Sergipe perguntou se Fraga estaria disposto a mostrar sua declaração de renda, agora, antes da aprovação de seu nome pelo Senado. Fraga limitou-se a dizer que fechou seu domicílio fiscal e o reabriu no Brasil. Dutra perguntou se ele pretende voltar ao Estados Unidos e ao Fundo Soros quando sair do BC. Fraga concluiu dizendo que "a última coisa que passa pela minha cabeça, no momento, é saber o que farei depois dessa etapa da minha vida".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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