PARA JÚLIO CAMPOS, HÁ RAZÕES PARA IMPUGNAR MANDATO DE DANTE DE OLIVEIRA
Da Redação | 15/01/1999, 00h00
O procurador regional eleitoral de Mato Grosso, Moacir Mendes de Sousa, pediu a impugnação do mandato do governador Dante de Oliveira, informou nesta sexta-feira (15) o senador Júlio Campos (PFL-MT). De acordo com o senador, o pedido de impugnação junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) baseia-se em crimes eleitorais como distribuição de títulos eleitorais sem validade, compra de votos, obras em proveito eleitoral e manipulação de dados de pesquisas eleitorais, cometidos durante o processo eleitoral de outubro último. Em vista do que considerou uma eleição injusta e desigual, Júlio Campos, que disputou o pleito com o governador reeleito, não se considerou derrotado.- Não me sinto derrotado, mas até vitorioso. Diante do quadro que se viu no estado, nós deveríamos ter conseguido no máximo 20% dos votos. Mas, alcançamos 39% - afirmou o senador, lembrando denúncia feita por ele ao Ministério da Fazenda de que o governo sacara R$ 35 milhões dos recursos destinados ao pagamento da dívida estadual para compra de votos.Júlio Campos creditou os abusos cometidos pelo governador às distorções do instituto da reeleição. Um exemplo disso, segundo ele, foi o desempenho de líderes políticos expressivos, que não puderam fazer frente "às maquinas administrativas avassaladoras e à avalanche de compra de votos". O senador mato-grossense recebeu a solidariedade de diversos senadores. Apesar de apoiar o instituto da reeleição, o senador Edison Lobão (PFL-MA) reconheceu a necessidade de se impor limites. "Ao aprovar a reeleição, não tivemos o cuidado de estabelecer a desincompatibilização dos governantes", observou. A senadora Marluce Pinto (PMDB-RR) concordou com Lobão e disse acreditar que os episódios das últimas eleições levem a um reexame da reeleição. "Espero que o Congresso Nacional e o presidente Fernando Henrique Cardoso cheguem à conclusão de que não é viável a reeleição com o governante no cargo", afirmou.O senador José Alves (PFL-SE) disse que a campanha eleitoral em Mato Grosso não foi exceção. Para ele, o quadro grave relatado por Júlio Campos corresponde ao ocorrido em todo o país. "Em Sergipe, não foi diferente. Uma máquina eleitoral gigantesca com recursos da privatização da Empresa Estadual de Energia", acusou. O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) lamentou que não se tenha conseguido minimizar "o ímpeto do poder econômico", durante as discussões da emenda da reeleição. "Como resultado, tivemos uma eleição viciada e marcada pela corrupção eleitoral e a fraude", frisou. O senador Jonas Pinheiro (PFL-MT) lamentou a derrota de Júlio Campos. "Mato Grosso ainda chora a sua derrota e um jejum de obras de quatro anos".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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