JOEL DE HOLLANDA DESTACA ENTREVISTA DE MARCO MACIEL
Da Redação | 04/11/1998, 00h00
O senador Joel de Hollanda (PFL-PE) registrou nesta quarta-feira (dia 4) entrevista concedida à revista Isto É pelo vice-presidente da República, Marco Maciel, na edição de 21 de outubro último. "Ao fazer, neste plenário, o registro da entrevista concedida pelo vice-presidente, imagino estar cumprindo um dever elementar de homem público: contribuir para que uma brilhante análise da conjuntura política brasileira, elaborada por quem conhece a fundo nossa realidade, seja partilhada, examinada e debatida por um número maior de pessoas. Nesse sentido, não me parece existir local mais apropriado do que esta Casa", disse Hollanda.Para o senador, o principal destaque da entrevista é também a principal bandeira de Marco Maciel, ou seja, a urgente necessidade de iniciar uma ampla reforma política no Brasil. "Penso residir nessa tese o grande e definidor elemento que distingue o estadista do homem comum, seja ele político ou não", explicou o senador. Segundo Hollanda, o estadista tem a sensibilidade para perceber que as grandes e definitivas ações têm por referência a longa duração, e não o curto prazo.- Com posições firmes, sem nunca ser arrogante, Maciel não tem meias-palavras para apontar o que, em sua opinião, são deformações de nossa experiência político-institucional. Assim, contesta uma realidade que torna "mais fácil criar um partido do que organizar uma microempresa", ou ainda, quando deplora o fato de que, no Brasil, há "maioria, minoria e "unoria", que é o partido de um só". Para ele, não se trata de advogar a extinção desse tipo de partido, mas, sim, de exigir que este tenha representatividade.Joel de Hollanda disse também que a reforma política defendida por Marco Maciel vai muito além da simples mudança na legislação eleitoral e partidária. "É necessário discutir o caráter das instituições republicanas que temos, a começar pelo fato de que nossa federação é meramente legal, nada tendo de real. Exatamente por isso, Maciel identifica a reforma tributária como integrante das chamadas reformas políticas", explicou.Hollanda apontou as três providências consideradas imprescindíveis por Maciel para fugir do casuísmo de cada eleição: atualizar o código eleitoral de 1965, aperfeiçoar a lei dos partidos políticos de 1995 e mudar a lei de inelegibilidade por causa da instituição da reeleição, que está em conflito com a Constituição.O senador disse que Maciel desmonta a tese de que o Sul estaria sub-representado e o Nordeste super-representado no Congresso Nacional, concordando com Darcy Ribeiro quando afirmou que uma representação parlamentar numericamente justa deveria contemplar, além da população, a dimensão territorial, citando especificamente o exemplo do Amazonas.Segundo Hollanda, Maciel lembrou, ainda, que o modelo de sistema eleitoral vigente no Brasil, baseado no sistema italiano dos anos 30, só vigora na Finlândia, e que o ideal seria o sistema misto, conciliando o majoritário com o proporcional.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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