CAMATA PREGA DESESTÍMULO À IMPORTAÇÃO DE SUPÉRFLUOS
Da Redação | 29/10/1998, 00h00
Lastimando que o Brasil esteja gastando mais do que arrecadando e comprando mais do que vendendo no exterior, o senador Gerson Camata (PMDB-ES) indagou do ministro da Fazenda, Pedro Malan, se não é hora de "dar um arrocho na importação de supérfluos". Ele disse ter visto num supermercado do Espírito Santo endívia importada da Itália, alface comprada do Chile e sururu oriundo da Espanha.Na opinião do parlamentar, o Brasil está perfeitamente apto a produzir essas mercadorias, gerando emprego e estimulando a economia. Ele observou que, se está tomando providências para conter o déficit interno, o Brasil deve tomar medidas também para conter as importações de mercadorias oriundas de países que sobretaxam produtos brasileiros. "Os norte-americanos criam inúmeras dificuldades para produtos nossos; devíamos criar dificuldades para a produção deles. Eles também deviam ajudar o Brasil a conter o déficit interno."Camata condenou o excesso de viagens e compras de brasileiros no exterior, sugerindo que "o camarada que tem um pouquinho mais de condições deve dar um pouquinho mais de contribuição". Ele sugeriu uma maior sobretaxa para conter o turismo brasileiro em outros países. O parlamentar também observou que, no programa de ajuste fiscal, não viu nenhuma medida que proteja os mais carentes. "Os que são fracos na sociedade acabam levando a rebordosa", afirmou. O ministro da Fazenda concordou em que o Brasil tem que atacar a evasão de recursos nas duas frentes - no endividamento interno e na balança comercial. Disse que andar nessa direção é uma responsabilidade de qualquer governante, e observou que preferia não estar propondo aumento de impostos e corte de gastos. "O governo realmente não tem o dom de satisfazer simultaneamente a todos", observou. Também informou que, no passado, o Brasil não tinha mecanismos eficazes de defesa comercial, medidas que estão sendo aperfeiçoadas agora, por exemplo, contra o dumping, sistema protecionista que alguns países usam para incentivar artificialmente as exportações.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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