BENEDITA ACONSELHA A PENSAR ANTES DE PRIVATIZAR
Da Redação | 10/06/1998, 16h17
Referindo-se à decisão governamental de retirar a transmissão de energia elétrica do processo de privatização, previsto para se efetivar até o ano 2000, a senadora Benedita da Silva (PT-RJ) indagou se não está na hora de o Brasil estudar minuciosamente esse processo para não "chorar depois".
- O que está em jogo é patrimônio público e não é vergonha nenhuma para o governo voltar atrás, desde que o motivo seja evitar prejuízos ao país - argumentou a parlamentar.
Na opinião da senadora, tudo indica que o governo não conseguiu ainda traçar uma estratégia de privatização do sistema elétrico e espera que isso seja conseguido pragmaticamente. Para tanto, a Gerasul, única empresa a ser leiloada este ano, será a cobaia que servirá de modelo para as futuras privatizações, disse ela. "O leilão, caso seja um sucesso, parabéns; caso seja um fracasso, prejuízo para a Nação. Isso está parecendo brincadeira de erra e acerta, só que com o dinheiro público", comentou.
Ela informou que, com todos os leilões previstos para o setor elétrico, a Eletrobrás sofrerá uma queda expressiva em sua participação no sistema como um todo. Segundo Benedita da Silva, hoje, o patrimônio da empresa situa-se em R$58 bilhões e, após as privatizações, cairá para pouco mais de R$20 bilhões, incluindo-se aí as linhas de transmissão, a Itaipu e os saldos dos contratos remanescentes.
Conforme a senadora, a expectativa é de que a privatização do setor elétrico só venha a ocorrer quando todas as empresas geradoras de energia forem vendidas. Para Benedita, a razão dessa mudança de estratégia se deve a apelo dos investidores interessados na compra das empresas do setor que argumentaram sobre a necessidade de garantir estabilidade nas relações entre geradoras e distribuidoras.
Diante desse fato, Benedita da Silva disse que mantém uma dúvida: "Será que a justificativa de estabilidade oferecida pelos investidores não teria outras intenções? Haja visto que empresário não anda muito preocupado com estabilidade, mas sim com lucro".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: