CABRAL QUER FÁBRICA DA PHILIPS EM MANAUS
Da Redação | 28/04/1998, 09h05
O senador Bernardo Cabral (PFL-AM) insurgiu-se hoje (dia 28) contra a possibilidade de uma fábrica de lâmpada fluorescente compacta da Philips da Amazônia não ser mais instalada na Zona Franca de Manaus, como estava inicialmente previsto.Ele afirmou que a proposta de instalação dessa fábrica figurava na pauta de uma reunião do Conselho de Administração da Suframa, em 3 de março de 1997, mas foi engavetada.
Bernardo Cabral leu texto segundo o qual, por falta do "processo produtivo básico"e por interferência do Ministério da Ciência e Tecnologia, "até hoje o assunto não foi resolvido". Em decorrência disso, acrescentou ele, a Philips já está providenciando a instalação da fábrica em Caçapava (SP), "com prejuízo para a Zona Franca".
- Eu não posso ficar calado. Registro aqui meu protesto, assim como meu crédito de confiança no ministro Israel Vargas, da Ciência e Tecnologia. É preciso pôr um basta a esse trabalho que se faz contra a Zona Franca de Manaus - frisou.
O senador enfatizou que não é advogado de nenhuma empresa da Zona Franca nem defensor de interesses econômicos, mas sustentou que, como parlamentar eleito pelo estado, tem o dever de impedir que se fira de morte a economia da região. Em sua opinião, o Brasil parece conduzir uma conspiração contra o Norte e o Nordeste, "parecendo preferir que essas regiões fossem as enteadas da nação".
- É como se vivêssemos em um país em que uma guerra de secessão tivesse se operado - comentou ainda Bernardo Cabral. Ele lamentou que os civis não tenham perspicácia para observar que, quando criou a Zona Franca de Manaus, o marechal Castelo Branco teve exatamente o propósito de proteger a Amazônia contra a ação de estrangeiros. "É lamentável agora essa falta de brasilidade e espírito público", observou.
O senador Jefferson Péres (PSDB-AM) afirmou, em aparte, que a Zona Franca de Manaus talvez seja o único modelo de desenvolvimento que deu certo no Brasil. Ele pediu que o governo não atrapalhe aquela região. Os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB) e Ramez Tebet (PMDB-MS) também apartearam para se solidarizar com as preocupações de Cabral.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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