SIMON DIZ QUE CAI A PONTE ENTRE FHC E O PRESIDENTE DO CONGRESSO

Da Redação | 23/04/1998, 09h44

O papel desempenhado pelo líder do governo na Câmara, deputado Luis Eduardo Magalhães, não encontrará substituto, afirmou hoje (dia 23) o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Simon lembrou que ontem, na base aérea de Salvador, o próprio presidente Fernando Henrique Cardoso lembrava ser Luís Eduardo o elo de ligação entre ele e o presidente do Congresso Nacional, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), pai do deputado.

- Haverá um líder na Câmara, mas não um líder que substitua Luís Eduardo. Não haverá quem o substitua no seu papel, talvez o mais importante: o de fazer a ligação do presidente Fernando Henrique Cardoso com Antonio Carlos Magalhães, de fazer aquilo que o senador Antonio Carlos dizia - afirmou.

Em um longo discurso, Simon ressaltou a dupla perda para o governo de Fernando Henrique Cardoso. Disse ter chorado quando o presidente leu, em frente às câmaras de televisão, o bilhete que o ministro Sérgio Motta escreveu antes de entrar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu. Para o senador, aquela foi uma demonstração fantástica de carinho e amizade: sabia que ia morrer e escreveu uma última mensagem de homenagem e estímulo ao presidente.

O senador afirmou que o deputado sabia somar as grandezas que unem o povo brasileiro, em vez de passar todo o tempo brigando por pequenas diferenças. Para ele, ainda falta um estudo cabal sobre o plano que ele e os então deputados Nelson Jobim, Miro Teixeira, Sigmaringa Seixas e José Genoíno traçaram para recolocar a Câmara dos Deputados no seu lugar.

Simon lembrou certa ocasião em que o ex-ministro da Previdência, Waldir Pires - tradicional adversário de Antonio Carlos Magalhães -, encontrou-se com Luís Eduardo e, além de trocarem um abraço fraterno, conversaram durante horas. Ao final da conversa, Waldir disse a Simon:

_ Não há como não dar o abraço. Esse rapaz é extraordinário. É um homem equilibrado, é sério, é digno, é correto. É um homem que tem grandeza nos seus atos.

Simon lembrou que, como ACM, já perdeu um filho, uma dor que nunca irá esquecer. E perguntou-se: o que acontecerá com o presidente do Congresso Nacional? Para ele, deverá aparecer um novo Antonio Carlos Magalhães, que não terá o projeto pessoal do filho, mas que terá uma autoridade absoluta neste governo e no futuro do país, porque poderá ser o grande conselheiro e amigo do presidente.

- Trago meu abraço muito fraterno ao senador Antonio Carlos Magalhães. Posso dele ter divergido, mas nele reconheço um líder honrado, um homem sério. Entendo profundamente a sua dor e rezo a Deus para que Sua Excelência consiga vencê-la e para que, de um modo especial, consiga vislumbrar uma luz. Luís Eduardo era importante, era um grande nome, era o filho de seu coração. Com isso, no lugar do filho, Sua Excelência deve colocar um pouco mais daquilo que já tem, que é o Brasil, o seu povo, a sua gente. Que este seja seu farol - desejou Simon.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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