LAURO CAMPOS APONTA EFEITOS DA "FOME DE PODER" DE FHC
Da Redação | 30/03/1998, 11h36
A "fome de poder" do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, é tão grande, na opinião do senador Lauro Campos (PT-DF), quanto a cegueira com que o governo se comporta diante do aprofundamento da crise. Para o desemprego, as falências e o desespero, "a solução à vista é apagar o fogo através de falsas estatísticas", disse.
Em 1994, lembrou o senador, Maurílio Ferreira Lima, que depois seria aquinhoado com a presidência da Radiobrás, declarou à revista Isto É que "inventou a reeleição". À época, o senador disse ter denunciado o que seria, a seu ver, "uma guerrilha pela permanência no poder", mas o TRE considerou a entrevista como prova insuficiente do que ele alegava.
No campo institucional, segundo Lauro Campos, a atividade político-partidária continua sendo instrumentalizada pelo "toma-lá-dá-cá" e pelas promessas de partilha do poder, o que seria coerente com afirmação do presidente, de que governaria com partidos de A a Z: "Isso reflete sua concepção de política e de partido político".
Além disso, acrescentou, mantém-se a "contínua, perpétua e eterna falta de fiscalização", de modo que, "como sempre, há leis que não pegam, principalmente as que não pegam ladrões, contrabandistas, pianistas, etc."
O senador também apontou o que, a seu ver, seria uma contradição do governo em relação ao fogo que atinge Roraima: avisado a tempo, não tomou as devidas providências e, com o fogo fora de controle, o governo que mais desnacionalizou o país em termos econômicos, agora declara que "o fogo de Roraima é nosso. A Petrobras e a Eletrobrás não são nossas, mas o fogo de Roraima, sim". Para o senador, o descaso em relação ao estado é devido a seu reduzido número de eleitores: "Em ano eleitoral, que importa esses votos pingados e chamuscados?"
Outro aspecto salientado pelo senador foi o que ele denominou de "David Copperfield", ou seja, o fato de o governo ter recebido cerca de R$ 19 bilhões com a venda de estatais e, num passe de mágica, desaparecer com esse dinheiro. Conforme Lauro Campos, a justificativa das vendas foi a de que os recursos com elas obtidos seriam aplicados no pagamento dos serviços e juros da dívida pública. No entanto, frisou, R$ 17 bilhões foram gastos na sustentação do sistema financeiro e a dívida pública, em três anos, passou de R$ 150 para R$ 306 bilhões.
Em aparte, o senador Josaphat Marinho (PFL-BA) disse que "a vontade de poder é tão grande que ainda não se deu a primeira reeleição, mas os jornais noticiam que, na intimidade do Planalto, já se fala em segunda reeleição".Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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