PARA DUTRA, REFORMA É "COMO UM PASSEIO NUM SUPERMERCADO"

Da Redação | 11/03/1998, 09h40

Com "coisas boas, descartáveis e/ou desprezíveis, a reforma administrativa prestes a ser aprovada pelo Senado assemelha-se a um passeio num supermercado", segundo justificação de voto contrário dado hoje (dia 11) pelo senador José Eduardo Dutra (PT-SE).

Mesmo entre os aspectos positivos, na opinião do senador, a reforma peca pela incoerência: fixa um teto de remuneração para todo o setor público, mas abre a possibilidade de os dirigentes de estatais extrapolarem esse limite.

Uma verdadeira reforma na administração pública deveria ter um eixo central que, segundo Dutra, não existe na proposta do governo. Ele deu o exemplo da qualidade como objetivo da prestação de serviços públicos, o que, pelos conceitos modernos de qualidade, exigiria "bom atendimento ao cliente", participação da sociedade na definição, fiscalização e controle dos serviços prestados, e "bem-estar e satisfação dos colaboradores, ou seja, os funcionários".

Fosse outra a lógica da reforma, e se o governo tivesse de fato discutido sua proposta, aceitando modificações que muitos dos próprios parlamentares governistas apontaram como necessárias, Dutra disse que teria apoiado a reforma administrativa. "Não tenho nenhum compromisso com o modelo de Estado que está aí", frisou, pois ele teria sido construído para manter o caráter patrimonialista vigente há séculos no país.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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