TUMA CRITICA USO DETURPADO DE EXPRESSÃO DE SÃO FRANCISCO
Da Redação | 15/01/1998, 16h42
O senador Romeu Tuma (PFL-SP) criticou hoje (dia 15) a deturpação dos ensinamentos de São Francisco Assis no uso da expressão "é dando que se recebe" como troca de favores políticos. "Será que alguma mente humana pode ser tão obtusa para ignorar a sublime mensagem contida nessa frase para usá-la em tentativas de legitimar trapaças ou ações indecorosas?", questionou.
Ele argumentou que, desde que a frase foi citada "de forma infeliz e reprovável" durante a Constituinte, "tem-se injuriado a memória desse santo, ora em tentativas de justificar a politicagem e a corrupção que, desgraçadamente, ainda campeiam em setores da administração pública, ora com eufemismos que, por preguiça mental, complementam denúncias de improbidade nos escalões da República".
Na opinião de Tuma, Francisco de Assis, protetor dos animais e patrono dos ecologistas, é o maior santo da Igreja Católica e sua vida foi marcada por desprendimento e abnegações transcendentais. "Podemo-nos tornar tão insensíveis e sarcásticos a ponto de esquecer que ele sempre se referia a um plano de existência mais elevada, onde haverá retribuição divina por todos os gestos de caridade e solidariedade?", indagou.
- Até quando a cegueira ou o dolo de quem goza do acesso à tribuna e à mídia continuará a agredir nossa inteligência, chamando de "franciscana", "política de São Francisco de Assis" e expressões semelhantes às ações de barganha que envergonham qualquer ser humano razoavelmente formado? - protestou.
Em aparte, o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) ponderou que o deputado Roberto Cardoso Alves - que usou a expressão "é dando que se recebe" na Constituinte - era um homem culto e inteligente, mas foi infeliz na comparação. Para Alcântara, é normal que haja uma relação recíproca entre a bancada governista e o Poder Executivo, "dentro dos limites éticos e morais".
Já a senadora Benedita da Silva (PT-RJ) considerou que não é certo usar "um símbolo católico como pretexto para manobras e manipulações". O senador Bernardo Cabral (PFL-AM) assinalou que, na sua opinião, São Francisco de Assis é a maior figura da Igreja Católica, comparado a Jesus Cristo.
Por sua vez, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) salientou que considera a oração de São Francisco de Assis a mais bonita depois do Pai Nosso e apelou que "deixemos São Francisco em paz, pois o que devemos discutir é a relação entre o Parlamento e o Executivo". O senador Sebastião Rocha (PDT-AP) frisou que é um equívoco comparar práticas políticas com as ações dosanto.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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