COUTINHO DIZ QUE SALÁRIO DEVE SER PROTEGIDO CONTRA INFLAÇÃO

Da Redação | 09/08/1995, 15h36

Após debater a medida provisória de desindexação da economia (MP 1.079) com representantes dos empresários, na manhã de hoje (dia 9), o relator da matéria,senador Coutinho Jorge (PMDB-PA), formou uma opinião definitiva em favor da inclusão em seu relatório de um mecanismo para proteção dos salários contra a erosão inflacionária. Eleadmitiuterdúvida com relação à escolha do melhor mecanismo para essa proteção e revelouque sua assessoria vem estudandodiversas fórmulas alternativas ao recurso simples do gatilho salarial, que ele não pretende adotar. O senador confirmou que apresenta seu relatório à Comissão Mistana manhã do próximo dia 14, segunda-feira,manifestando otimismo com relação a sua aprovação.

O fechamento do relatório somente deverá ser feito no final de semana, em função da realizaçãode debates sobre a medida provisória atésexta-feira (dia 10), no âmbito da Comissão Mista.

O comparecimento do ministro Paulo Paiva, do Trabalho, à comissão foi confirmado para asexta-feira (dia 11), às 10h. Para a reunião desta quinta-feira (dia 10) foram convidados os ex-ministro ee deputado Delfim Netto, a deputada Maria da Conceição Tavares e os professores José Márcio de Camargo e José Pastores, entre outros. Até o início da noite de hoje, eles não haviam confirmado sua presença na reunião da comissão.

Nos debates de hoje, com empresários que representavam a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), salários e contratos dominaram as discussões.

Na avaliação do conselheiro da CNI, Max Schrappe, os salários efetivamente necessitam de alguma proteção contra a inflação, sob pena de serem prejudicados os trabalhadores e os próprios agentes econômicos brasileiros, pela redução do poder de compra. A seu ver, apenas quando a inflação anual fosse sensivelmente mais baixa do que é atualmente (projeção da ordem de 35 por cento) seria possível cogitar da desindexação total. Mesmo assim, o representante da CNI enfatizou que a indexação nunca foi um mecanismo eficiente de preservação do poder de compra dos salários. Muito menos uma indexação total e automática.

Já o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Marcos Sant'Anna, centrou suas preocupações na rigidez dos reajustes anuais para contratos de longo prazo e alta complexidade, como são os contratos habitacionais, por exemplo. Essa fórmula, na sua opinião, somente poderia funcionar em ambiente de inflação zero ou próxima de zero. De outro modo, advertiu, teme-se por prejuízos sensíveis para diversos segmentos de atividades da construção.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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