SUS trouxe o atendimento universal

Antes da criação do SUS, o modelo brasileiro de assistência à saúde no país mantinha estreita vinculação com as atividades previdenciárias (hoje separadas daquele setor) e dividia a população em três grupos. O primeiro grupo era formado por aqueles— em geral, empregados com carteira assinada — que contribuíam com a previdência e tinham, mesmo com as deficiências então já existentes, um acesso mais amplo a uma rede de ambulatórios e hospitais mantidos pelo extinto Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), autarquia criada em 1974. O Inamps dispunha de hospitais próprios, mas a maior parte do atendimento era feita na rede particular, por meio de convênios em que o governo federal pagava aos prestadores de serviço por procedimento.

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Cartão do Inamps: antes do SUS, sistema  era descentralizado e acessível a poucos brasileiros

Já nos anos 70, um movimento que ficou conhecido como Reforma Sanitária defendia o fim do processo de privatização da assistência à saúde a que o modelo em vigor levava. Seu principal artífice era o médico sanitarista Sergio Arouca (1941–2003), que viria a ser deputado federal após a redemocratização do país. Pressionado pelo movimento, ao longo da década de 80, o Inamps passaria por sucessivas mudanças com universalização progressiva do atendimento, já numa transição com o SUS.

Um segundo grupo (praticamente o restante da população) eram os “não previdenciários”, que tinham acesso muito limitado à saúde — uns poucos hospitais públicos e entidades filantrópicas como as santas casas e outras instituições assistenciais. Finalmente, a menor parcela era a dos que tinham planos de saúde particulares. Em resumo, nos três casos, quem não pagava não era atendido.

A proposta do SUS é inteiramente diversa do modelo anterior, ao se basear nos princípios de um atendimento público, gratuito e universal. A implantação do SUS também unificou sob o manto do Ministério da Saúde todo o sistema de atendimento público, que antes de 1988 era responsabilidade de vários ministérios, e descentralizou sua gestão, agora compartilhada entre o Executivo federal, estados e municípios.

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