Meta alemã é chegar a 100% de energia limpa
Armin Kübelbeck
Parque eólico e solar em Schneebergerhof, na Alemanha: um dos mais potentes do mundo

Em 2011, a Alemanha foi a sétima maior consumidora de energia elétrica no mundo. Nesse mesmo ano, as usinas atômicas foram responsáveis por 23% do consumo alemão. Apesar disso, dois meses após o acidente nuclear de Fukushima, o governo alemão anunciou disposição de desligar seus 17 reatores nucleares até 2022.

Em seguida, o governo lançou um novo plano energético, com investimento concentrado em energias renováveis. Políticos e técnicos confiaram nos progressos que o país fez nessa área e apoiaram uma das propostas mais ambiciosas já surgidas: transição para energia elétrica 100% limpa.

Na verdade, o acidente de Fukushima levou à consolidação de política iniciada ainda no ano 2000, quando entrou em vigor a lei que garante incentivos para produtores de energia de fonte renovável. Como resultado, em uma década, o percentual de energia alternativa mais do que dobrou, passando de 6% para 17%, em 2011. O objetivo da nova política é garantir que, em 2030, metade do fornecimento elétrico venha de fontes renováveis.

Para que isso aconteça, é o consumidor, tanto o industrial como o residencial, que está pagando a conta. A renúncia à energia nuclear, mais barata, e o estímulo à energia renovável, mais cara, significaram o aumento do preço da energia. O subsídio concedido para a implantação de usinas de energia renovável, com alto custo de implantação, é quase inteiramente repassado à tarifa.

Contraditoriamente, outro efeito imediato do progressivo desligamento das usinas nucleares foi o aumento da utilização de energia proveniente de combustíveis fósseis. O país, detentor do quarto maior PIB do mundo, depende de importações de petróleo, gás e carvão para manter o alto consumo energético de sua economia. Atualmente, a Alemanha é a sexta maior emissora de gases de efeito estufa.

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