Bicicleta é veículo do passado e do futuro

A bicicleta é um meio de transporte eficiente, barato, saudável e ambientalmente limpo. Não por acaso, a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) estabelece, nas diretrizes, que as cidades deem prioridade aos tipos de transporte não motorizados — a pé e de bicicleta — sobre os demais. Mas o documento do Banco Mundial Cidades em Movimento afirma que o transporte não motorizado costuma ser negligenciado pelas autoridades quando se trata de políticas públicas de mobilidade e de infraestrutura urbanas. No Brasil, não é diferente.

Poucas entre as grandes cidades brasileiras possuem ciclovias que efetivamente permitem a mobilidade da população nas atividades diárias. De acordo com estatísticas da ONG Mobilize Brasil, a campeã em quilômetros de ciclovia é o Rio de Janeiro (300), seguida por Brasília (160), ­Curitiba (120) e São Paulo (70). Outras capitais estão investindo, como Porto Alegre, Aracaju, Salvador, Cuiabá e Rio Branco, mas o país ainda está distante das ­grandes cidades do mundo, como Berlim (750), Nova York (675), Amsterdã (400) ou Paris (394).

Além da pequena extensão de ciclovias, os usuários reclamam, segundo a Mobilize Brasil, da descontinuidade das vias, que dificulta o deslocamento. Nas grandes cidades, como Brasília, há intervalos sem ciclovias e barreiras quase intransponíveis, como grandes e movimentadas avenidas. Sem falar nas vias muito estreitas, fora dos padrões de segurança, ou com obstáculos, como árvores e postes, conforme acontece nos bairros da Gávea e do Jardim ­Botânico, no Rio de Janeiro.

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Nas pequenas cidades

Mesmo com todos esses obstáculos, a bicicleta é uma opção real de transporte no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o Brasil possui mais de 65 milhões de ­bicicletas.

Dos deslocamentos diários feitos no país, 7% se dão por bicicleta, porcentagem que coloca o país no ranking dos dez países em que mais se usa esse tipo de transporte no mundo, de acordo com Claudio Oliveira da Silva, arquiteto do Ministério das Cidades.

Esse é o veículo mais utilizado nas pequenas cidades do país, com menos de 50 mil habitantes, as quais, em geral, não possuem transporte coletivo e cuja população não tem amplo acesso a carro ou moto particular. E poucas dessas cidades têm, segundo o ministério, políticas para estimular o uso, organizar a circulação e investir em infraestrutura. Por isso e diante das facilidades tributárias que o governo federal concedeu para a aquisição de veículo motorizado, tem crescido o número de motocicletas no interior do Brasil.

Nas grandes e médias cidades, admite o ministério, o uso da bicicleta como transporte está abaixo do potencial, sendo utilizada principalmente pela classe de renda média alta para esporte e lazer e pela classe de renda muito baixa, que de fato a aproveita para ­locomoção.

Duas rodas vencem desafio


O Desafio Intermodal é uma modalidade de competição entre diferentes tipos de modo de transporte (carro, metrô, ônibus, motocicleta e bicicleta). A intenção é avaliar qual o meio de transporte mais eficiente em diversas cidades. São avaliados o tempo gasto para chegar ao destino final, o custo gerado e a emissão de gás carbônico. Não basta alcançar o primeiro lugar, é preciso chegar com mais qualidade.

De acordo com a relação de ganhadores desde 2006, disponibilizada pela ONG Mobilize Brasil, a bicicleta é o veículo que oferece a maior relação custo-benefício para quem se locomove pela cidade.

A última edição do desafio aconteceu em 23 de setembro, logo após o Dia Mundial sem Carro (22 de setembro) em várias cidades do Brasil e do mundo. Em São Paulo, o vencedor foi a motocicleta, que fez 15 quilômetros em 20 minutos. O segundo e o terceiro lugares foram conquistados por bicicletas. No ano passado, o mais rápido foi o helicóptero (22 minutos), que não levou o prêmio porque a bicicleta, com 24 minutos, foi considerada mais ­eficiente.

Em Brasília, 13 voluntários ­saíram da cidade-satélite do Guará e foram até o Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios, um percurso de cerca de 15 quilômetros. Foram dez modalidades de deslocamento avaliadas, incluindo deslocamentos mistos: carro, táxi, ônibus, metrô, bicicleta, caminhada e corrida leve. O vencedor foi uma ­bicicleta, com 21 minutos, seguida pelo táxi e pelo carro.

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