Crescimento desordenado e poluição põem Brasília em alerta
FOTO: ANA VOLPE/AGÊNCIA SENADO
Cultivo de morango em Brazlândia (DF) tem alta demanda de água e corre risco durante a estação seca

A estação seca, que pode durar quatro ou cinco meses na capital da República, não é uma ameaça tão grande ao abastecimento de água de qualidade quanto a poluição e o aumento da demanda por conta do crescimento populacional desordenado. O sistema de monitoramento da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) já aponta áreas em estado de alerta ou estado crítico também pela devastação da vegetação nativa, ocupações irregulares e assoreamento dos rios.

A deterioração da natureza, o desmatamento e o crescimento urbano descontrolado vêm ameaçando os mananciais e os reservatórios de água na jovem capital do país. É o caso, por exemplo, da Barragem do Rio Descoberto, que abastece 65% da população do Distrito Federal.

A barragem localiza-se em uma área que recebe a água da chuva que carrega muita sujeira das cidades vizinhas para o reservatório, provocando poluição por lixo e fertilizantes e o assoreamento do lago. Em consequência, o índice de qualidade da água piora.

Com isso, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) tem que intensificar o processo de purificação da água para evitar a perda da qualidade. Atualmente, a Caesb oferece 8,5 mil litros por segundo para consumo. De acordo com a Adasa, em 2012, 24% da água tratada foi perdida no processo. Em 2013, o número aumentou para 25,6%.

Nesse passo, as séries históricas de vistoria demonstram que cada vez mais áreas apresentam disponibilidade hídrica em estado de alerta ou crítico.

Welber Ferreira, especialista da Adasa, avalia ainda que a região de Brazlândia, onde está localizada a Barragem do Descoberto, está sob risco ainda maior por conta da grande demanda da agricultura ­local, especialmente no período de seca. Escassez também pode ocorrer na região do Pipiripau, em Planaltina, na região noroeste do Distrito Federal. Em relação à qualidade, o ­especialista explica que Taguatinga e Ceilândia, as duas maiores ­ cidades do Distrito Federal, são as que estão sob maior risco.

— O crescimento populacional e o lançamento de esgotos e, principalmente, de resíduos sólidos comprometem os córregos da região, que têm pouca capacidade de recuperação — alertou Welber Ferreira.

Segundo informações da Adasa, com altitude que varia de 600 a 1.100 metros acima do nível do mar, o Distrito Federal é um berço de nascentes de rios que pertencem às Bacias do São Francisco, Tocantins e Paraná, apresentando baixas vazões, que diminuem nos períodos de seca. Nas sete bacias do Distrito Federal, quatro áreas já têm qualidade da água preocupante, ainda que o monitoramento da Adasa indique que a qualidade das águas dos rios do DF esteja situada nas faixas "média" e "boa".

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