Especialistas divergem sobre classificação da perda auditiva em um só ouvido como deficiência — Rádio Senado
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Especialistas divergem sobre classificação da perda auditiva em um só ouvido como deficiência

Considerar deficiência a perda da audição em apenas um dos ouvidos divide especialistas. O assunto foi tema de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH). A audiência foi pedida pelo senador Paulo Paim (PT – RS), relator do projeto de lei (PLC nº 23/2016) que propõe considerar a perda auditiva unilateral, total ou parcial, como deficiência. Segundo Paim, o assunto é polêmico. O senador quer construir um relatório com a contribuição de todos os setores envolvidos

10/10/2016, 13h52 - atualizado em 10/10/2016, 19h11
Duração de áudio: 02:54
Geraldo Magela / Agência Senado

Transcrição
LOC: CONSIDERAR DEFICIÊNCIA A PERDA DA AUDIÇÃO EM APENAS UM DOS OUVIDOS DIVIDE ESPECIALISTAS. LOC: O ASSUNTO FOI TEMA DE AUDIÊNCIA PÚBLICA NA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA. MAIS INFORMAÇÕES COM A REPÓRTER IARA FARIAS BORGES: TÉC: A audiência foi pedida pelo senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, relator do projeto de lei que propõe considerar a perda auditiva unilateral, total ou parcial, como deficiência. E o assunto não obteve consenso. Ao defender a proposta, o médico especialista em ouvido, Krishnamurti Sarmento Júnior, destacou que a perda auditiva gera vários problemas à pessoa. (KRISHNAMURTI) “Os estudos tem se tornado cada vez mais incisivos no fato de que a criança com surdez unilateral têm resultados significativamente piores do que as crianças com audição normal, seja na localização do som, seja no reconhecimento da fala,seja no seu desempenho acadêmico, seja nas competências de linguagem e fala, no seu desenvolvimento comportamental, na interação social e nas funções cognitivas”. (Iara): O porta-voz de Deficientes auditivos unilaterais, Luciano de Oliveira, informou que são quase sete milhões de brasileiros com perda auditiva unilateral, e pede aprovação da proposta. (LUCIANO) “O deficiente auditivo unilateral é, sim, uma pessoa com deficiência. Temos impedimento físico; sofremos uma barreira, que é a sensorial, temos obstrução em diversos empregos e área de trabalho e ainda sofremos preconceito no mercado de trabalho. Nós somos deficientes, apenas estamos invisíveis e esquecidos e pedimos justiça a esta Casa”. (Iara): Mas para o representante do Conselho Nacional dos direitos da Pessoa com Deficiência, Filipe Correia, a proposta afronta a Constituição e a Lei Brasileira de Inclusão, que exigem ampla avaliação antes de considerar uma pessoa com deficiência. Da mesma opinião compartilha a representante do Ministério do Trabalho, Fernanda di Cavalcanti. Para ela, a proposta vai discriminar essas pessoas e dificultar ainda mais seu ingresso no mercado de trabalho. (FERNANDA) “Quando você restringe esse conceito a uma lei, eu acho que não faz parte da evolução que o Brasil fez, não faz parte do que o movimento da sociedade fez. Eu acho que o melhor momento seria essa lei não ir adiante. Minha opinião. Eu acho que a gente já tem legislação suficiente para garantir o direito das pessoas com deficiência. A gente precisa é colocá-las em prática. (Iara): Paim reconheceu que o assunto é polêmico e quer construir um relatório com a contribuição de todos os setores envolvidos. (PAIM) “Eu, tenho a tendência como relator de querer construir uma alternativa, construir um entendimento, trocar ideias para ver o que a gente pode ou não construir. Eu não sou de segurar projeto na minha mão e ir enrolando, enrolando, Uma decisão tem que se tomar”. (Iara): Paulo Paim vai se reunir com os especialistas que participaram da audiência e os senadores que relataram a Lei Brasileira de Inclusão em busca de consenso. Da Rádio Senado, Iara Farias Borges. PLC 23/2016

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