Papel do movimento estudantil é destacado em sessão pelos 80 anos da UNE

Da Redação | 10/08/2017, 12h18 - ATUALIZADO EM 10/08/2017, 16h48

Em sessão solene no Plenário do Senado nesta quinta-feira (10), o Congresso Nacional homenageou os 80 anos da União Nacional dos Estudantes (UNE). Diversos parlamentares que começaram a carreira política na UNE enalteceram o papel da entidade na luta pela democracia e ressaltaram a importância da militância estudantil na atualidade.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira, que abriu a sessão, lembrou o início de sua trajetória, como presidente da Casa do Estudante do Ceará:

– Pode-se dizer que a UNE muitas vezes foi escola. Uma escola dentro da escola. Capitaneou nos meios estudantis a resistência contra a intolerância e a exceção por décadas. Não é à toa que ela, com o perdão pelo jogo de palavras, une os estudantes – afirmou Eunício.

Uma das proponentes da sessão, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), exortou a atual presidente da UNE, Marianna Dias, e a direção da entidade a espelhar-se no exemplo das gerações passadas:

– Vocês todos, jovens, têm uma grande tarefa, que é ajudar a nação brasileira a recuperar nossa democracia, atingida duramente por um golpe.

Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) – presidente da UNE em 1992-93 – e Paulo Rocha (PT-PA) defenderam a necessidade de mobilização da UNE contra os cortes de verba na educação universitária.

– A UNE sempre cresceu em momentos de crise profunda como esta. Vocês sabem o tamanho da destruição que está vindo por aí – afirmou Lindbergh.

Paulo Rocha conclamou trabalhadores e estudantes para lutar pela democracia.

– De novo somos chamados a essa aliança entre operários e estudantes para voltar às ruas e reconquistar a democracia. Viva a UNE! – disse Paulo Rocha.

Em discurso, o senador José Serra (PSDB-SP), que presidia a UNE na época do golpe de 1964, rememorou seu período à frente da entidade e comparou-o ao atual:

– Não é meu papel fazer prescrições. Mas a importância [da UNE] daqui por diante é conseguir retomar o debate sobre o Brasil diante da juventude brasileira. É muito mais difícil que no passado, dada a dimensão e a heterogeneidade. Em 1964, eram 100 mil universitários, hoje são mais de 6 milhões.

Representando os ex-presidentes da UNE, o ex-deputado federal por Goiás Aldo Arantes, que dirigiu a entidade em 1961-62, falou da tarefa dos estudantes de hoje:

– A tarefa hoje tem a ver com a necessidade de soprar a brasa da rebeldia da juventude, de retomar a história de luta da juventude. Marianna, você e a atual direção da UNE têm a responsabilidade de atingir as amplas classes estudantis. É necessário reintroduzir na juventude a consciência crítica.

Encerrando a sessão, a atual presidente da UNE defendeu eleições diretas e prometeu lutar pela universidade pública:

– Hoje somos uma UNE de 7 milhões de estudantes universitários. Temos a coragem de dizer que somos a UNE do Fora, Temer, que defende a soberania do nosso país e que resistirá para que a universidade pública continue sendo um patrimônio inegociável do povo brasileiro. Não permitiremos que nenhum ataque seja feito sobre ela: nem cobrança de mensalidade, nem sucateamento, nem privatização – disse Marianna Dias.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)