Parlamentares destacam espírito público de Jarbas Passarinho
Da Redação | 15/06/2016, 19h21
O Congresso Nacional realizou sessão especial, nesta quarta-feira (15), em homenagem à memória do ex-senador Jarbas Passarinho, lembrado nos sucessivos pronunciamentos como um homem honrado, de elevado espírito público e dotado de grande amor pelo país. Passarinho, que participou do movimento que levou os militares ao poder de 1964 a 1985, foi também recordado por seu empenho posterior na articulação da anistia e da redemocratização.
Passarinho faleceu no dia 5 de junho, aos 96 anos em Brasília. Nascido em Xapuri, no Acre, mudou-se com a família para o Pará em 1923. Coronel reformado do Exército, ele foi governador do Pará na década de 60. Também foi ministro por quatro vezes, ocupando as pastas do Trabalho e Previdência, Educação e Justiça. Exerceu dois mandatos no Senado, chegando à presidência da Casa na década de 80.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, que abriu a sessão, falou do orgulho da Casa em ter sido comandada por “figura tão ilustre e tão honrada”. Entre os feitos do falecido político, Renan destacou seu empenho na defesa da causa indígena e a implementação do Programa Brasileiro de Alfabetização (Mobral), que por 18 anos incentivou brasileiros adultos a voltarem aos bancos escolares. Outra lembrança foi o papel que desempenhou para viabilizar a anistia.
- No atual cenário de intolerância, de incompreensão e fanatismo multifacetados, mais do que nunca é preciso homenageá-lo, como forma de aceitar que as pessoas estão sempre permeáveis a mudanças e podem abrir novos horizontes a qualquer tempo – afirmou Renan Calheiros.
O requerimento para a realização da homenagem foi do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA). A solenidade contou com a presença de autoridades, amigos e familiares do político, que desde 1987 era viúvo de Ruth de Castro Gonçalves Passarinho. Ele deixou cinco filhos, netos e bisnetos, muitos deles presentes. A Câmara dos Deputados foi representada pelo deputado e ex-senador Mauro Benevides (PMDB-CE). O comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, também participou.
Sensibilidade social
Flexa Ribeiro lembrou que Passarinho sempre se definiu como um “liberal social”, para afirmam que sua crença nas ideias econômicas liberais não excluía a defesa do papel social do Estado. Lembrou ainda que o político foi grande defensor da Região Amazônica, empregando sua habilidade política para garantir medidas a favor de seu povo, a exemplo da demarcação da reserva para os índios Ianomâmi. Recordou ainda que Passarinho foi autor de discursos “memoráveis” da tribuna do Senado e interlocutor de debates de “alto nível”.
- A sua memória, tenho certeza, ficará perene não somente para a família e amigos, mas para a história do país e do nosso Pará – disse Flexa Ribeiro.0
Para o senador Fernando Collor (PTC-AL), que teve Passarinho como ministro da Justiça quando foi presidente da República, o homenageado foi exemplo de vida ilibada. Ele destacou ainda a excelência de seu trabalho e a disciplina adquirida por conta da formação militar, associada à “sólida e diversificada bagagem intelectual”. Citou ainda a “deferência, o apreço e a simpatia” com que tratava a todos. Foi essa confluência de virtudes que, como disse, o levou a pedir a colaboração de Passarinho a seu governo.
Direito de greve
O senador Paulo Paim (PT-RS), deu o seu testemunho sobre episódios com participação do então senador Jarbas Passarinho durante o período da Assembleia Constituinte, quando ele próprio era deputado. Solicitado a se manifestar sobre redação defendida pelo movimento sindical a respeito do direito de greve, Passarinho não apenas manifestou apoio como foi à tribuna defender a proposta.
De acordo com o deputado Mauro Benevides, tanto o Congresso, no qual Passarinho foi uma das figuras mais brilhantes, como o país, ao qual ele serviu com talento e espírito público, rendem justa reverência à sua memória. Outro deputado federal a falar foi Joaquim Passarinho (PSD-PA), sobrinho do homenageado. Além de destacar suas qualidades como pai e esposo amoroso, ele salientou seu caráter “retilíneo e probo”.
- Apesar dos altos postos que ocupou, ele nunca se corrompeu, nunca maculou sua honra, mostrando que a vida pública pode e deve dignificar seus participantes – disse o sobrinho.
Humanismo
O comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, disse que, na condição de militar, Passarinho honrou a instituição. Ele destacou o espírito democrático e o pluralismo de ideias do homenageado, além do humanismo e a sensibilidade para as questões ambientais. Como exemplo, citou a posição de Passarinho a favor da demarcação da reserva Ianomâni, inclusive se antepondo à posição do Exército naquele momento.
A filha Angélica de Castro Passarinho, um dos integrantes da família que se manifestaram, contou histórias marcantes da vida do homenageado desde a infância pobre em Xapuri. Entre os feitos, citou a participação do pai na criação do Funrural, antecessor da aposentadoria rural, a seu ver uma medida que deu “dignidade aos velhinhos agricultores”. Disse que o pai deixou um parco patrimônio material para a família, não mais que uma casa e uma pequena poupança em dinheiro, mas em compensação ficou uma “imensa herança moral”.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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