CPI do HSBC receberá dados de correntistas acusados de fraude

Da Redação | 14/01/2016, 16h52 - ATUALIZADO EM 14/01/2016, 17h01

A CPI do HSBC terá acesso a toda a documentação referente aos correntistas da filial do banco em Genebra, na Suíça. A Justiça francesa autorizou a liberação dos dados, que fazem parte da investigação internacional sobre contas internacionais não declaradas no HSBC suíço, no escândalo conhecido como Swissleaks. Mais de 8 mil cidadãos brasileiros são suspeitos de participação no esquema, entre 2005 e 2007.

O Ministério da Justiça e a Procuradoria-Geral da República já possuíam cópias da documentação, mas não podiam compartilhá-la com a CPI sem o consentimento das autoridades francesas. Como o material era considerado crucial para o avanço das investigações, os senadores já haviam decidido encerrar os trabalhos da comissão antecipadamente. Agora, a expectativa é que a CPI cumpra seu prazo e funcione até abril.

A comissão receberá a documentação nos próximos dias. O conteúdo é apenas para uso interno do colegiado e não poderá ser divulgado.

Sobrevida

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, disse que a decisão do Judiciário francês salva a comissão de ser uma “enorme vergonha” e dá a ela uma sobrevida. Ele disse que os próximos passos servirão para identificar os brasileiros que tenham cometido fraudes fiscais com auxílio do HSBC.

— Agora a CPI tem tudo para avançar nas suas investigações e para ter conclusões eficazes. Primeiro, confirmaremos os brasileiros que tinham contas nessa agência. Segundo, vamos apurar quais dessas contas poderiam ser irregulares em relação à legislação brasileira — afirmou Randolfe.

O relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), também comemorou a liberação dos documentos, afirmando que a CPI “renasce das cinzas”.

Investigação

A CPI foi instalada em março de 2015 para apurar contas bancárias não declaradas de cidadãos brasileiros na filial do HSBC em Genebra. O banco é acusado de ter facilitado a evasão de divisas para clientes de diversas nacionalidades. Estima-se que U$ 7 bilhões tenham deixado o Brasil sem prestação de contas no período. O esquema foi denunciado por um ex-funcionário do HSBC, o analista de sistemas Hervé Falciani, e é alvo de investigações na França e no Brasil.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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