CPI do Assassinato de Jovens quer saber número exato de vítimas da violência policial

Da Redação | 29/09/2015, 16h59

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o assassinato de jovens no país vai pedir às autoridades do Executivo e do Judiciário de todas as unidades da Federação informações sobre a quantidade de jovens entre 12 e 29 anos mortos entre janeiro de 2014 e outubro deste ano em intervenções policiais. O pedido foi aprovado pela CPI em reunião nesta terça-feira (29).

Os senadores também querem saber a raça e o sexo das vítimas, o número de jovens desaparecidos no mesmo período e a quantidade de policiais assassinados. Essas solicitações foram apresentados pelo relator da comissão, Lindbergh Farias (PT-RJ).

O senador solicitou que todos os estados e o Distrito Federal remetam à CPI os registros de desaparecimentos no ano de 2014, bem como as informações dos denunciantes. E disse ser necessário contatar as famílias para conhecer os desfechos das ocorrências.

— Nesse caso, haverá um compromisso oficial do Senado, assumido pelos pesquisadores que receberem os dados, de não divulgar as identidades das vítimas nem dos seus familiares — salientou o senador.

Lindbergh quer ainda o acesso ao número de inquéritos de “autos de resistência” ou morte em decorrência de intervenção policial encaminhados ao Ministério Público de cada estado nos anos de 2007 a 2014 e também que a CPI ouça representantes de instituições envolvidas no combate à violência, como a Associação dos Delegados da Polícia Federal (Adepol), por exemplo.

Viagens previstas

A CPI do Assassinato dos Jovens vai a Cuiabá para verificar o crescimento do número de ocorrências na capital de Mato Grosso. O senador José Medeiros (PPS-MT) lembrou que, segundo o Mapa da Violência 2015, os casos de vítimas de armas de fogo no estado aumentaram 11,42% em dez anos.

— Em termos absolutos, o número de mortes causadas por arma de fogo aumentou 8,6%, em dez anos e a taxa de morte nessa modalidade ainda é maior do que a taxa nacional. Além disso, o  levantamento mostrou que, em 2012, em Mato Grosso, a taxa de homicídios entre a população de negros foi 81% maior que a de brancos — alegou Medeiros no requerimento.

Os senadores deverão ir também a uma cidade do sertão pernambucano, ainda a ser definida, para debater o assassinato de jovens e o consumo de bebidas alcoólicas. A proposta foi apresentada pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Ele explicou que nos municípios sertanejos o acesso de crianças e adolescentes ao álcool é muito fácil.

— Nesses municípios é comum assistir a crianças com seus 10, 11 anos de idade consumirem álcool, atos absorvidos pela comunidade de forma comum e socialmente aceitos, especialmente quando se trata do sexo masculino. Seria apenas coincidência os estudos demonstrarem que jovens do sexo masculino sofram mais com a letalidade dos conflitos? — questionou o líder do PT no Senado.

A Comissão Parlamentar de Inquérito não marcou as datas dessas audiências públicas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)