Presidente do BC prevê inflação na meta de 4,5% só no fim de 2016

djalba-lima | 16/12/2014, 16h47

A inflação brasileira só deverá baixar para o centro da meta de 4,5% no fim de 2016, conforme previsão do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nesta terça-feira (16).

Questionado pelos senadores Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e Lúcia Vânia (PSDB-GO) quanto ao fato de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dos últimos 12 meses, de 6,56%, encontrar-se acima do topo da meta de 6,5%, Tombini admitiu que essa variação tende a permanecer elevada. O pico, acrescentou, deve ocorrer no primeiro trimestre de 2015.

Tombini atribuiu as pressões a dois processos: o realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e o realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. Outra fonte de pressão é a depreciação do real em face do dólar, que ultrapassou 70% nos últimos 15 anos.

O fato positivo, conforme o presidente do BC, é que a depreciação do real, combinada com um cenário de maior crescimento global, poderá impulsionar as exportações.

Quanto ao realinhamento dos preços, Tombini afirmou que o BC trabalha para evitar que as pressões se tornem duradouras, ou seja, que realimentem a inflação.

— O Banco Central não será complacente com inflação e fará tudo o que for necessário para viabilizar um cenário mais benigno no período de 2015-2016 — acrescentou.

Políticas

A uma pergunta de Ricardo Ferraço quanto a uma suposta falta de sintonia entre políticas fiscal, a cargo dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, e monetária, conduzida pelo Banco Central, Tombini evitou comentários sobre gastos do governo.

Após afirmar que o conjunto do governo é que define a política fiscal, ele sugeriu que o tema fosse discutido com os futuros ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, que estavam participando de reunião na Comissão Mista de Orçamento (CMO). Ele admitiu, porém, que, quanto mais apertada a política fiscal, mais fácil será o trabalho do Banco Central na condução da política monetária.

Questionado por vários senadores, Tombini disse que a mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para desobrigar o governo do cumprimento da meta de superávit fiscal, reflete o estágio da economia, cujo crescimento baixo reduziu a expectativa de receita. A mudança foi sancionada nesta segunda-feira (15) como a Lei 13.053/2014.

Confiança

O presidente do Banco Central prometeu trabalhar para ampliar a confiança e a previsibilidade entre os agentes econômicos, ao responder a uma pergunta do senador Blairo Maggi (PR-MT). O parlamentar mato-grossense disse que o governo quebrou a confiança com a contabilidade criativa e com a mudança "desastrada" na política energética.

Também o presidente da CAE, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), manifestou esperança de que políticas fiscal e monetárias transparentes despertem confiança nos agentes econômicos, permitindo ao país retomar a trajetória declinante da taxa de juros. A política de redução da meta da taxa Selic atingiu seu ponto máximo em 17 de janeiro de 2013, quando foi fixada pelo em 7,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) – hoje está em 11,75%.

Turismo

Tombini previu, como efeito da desvalorização do real em face do dólar, a redução do déficit da conta turismo e um estímulo às viagens dentro do país. Ele respondeu a pergunta do senador Luiz Henrique (PMDB-SC), preocupado com um déficit nessa conta que chegou a US$ 17,8 bilhões em 2013 e poderá atingir US$ 19 bilhões em 2014.

O comparecimento do presidente do Banco Central à comissão é prevista no Regimento Interno do Senado. De acordo com essa norma, as audiências ocorrerão na primeira quinzena de fevereiro, abril, julho e outubro, podendo haver alterações de datas por entendimento entre a CAE e o presidente do BC.

Na audiência anterior, em 5 de agosto, Alexandre Tombini negou o risco de o Brasil entrar num processo conhecido como estagflação, que combina inflação alta com redução da atividade econômica e aumento do desemprego. Na ocasião, ele apontou uma tendência de queda nos índices gerais de preços.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: