Com Bancada Feminina, mulheres conquistam espaços de poder no Senado — Rádio Senado
Reportagem Especial

Com Bancada Feminina, mulheres conquistam espaços de poder no Senado

Além de importantes conquistas legislativas para as mulheres do país, a atuação conjunta das parlamentares no Senado vem modificando a dinâmica de forças na Casa revisora. Nos últimos cinco anos, elas passaram a ocupar órgãos de decisão, como a Mesa, e garantiram espaço em outros redutos masculinos, como as comissões parlamentares de inquérito. Confira agora na segunda parte da reportagem especial sobre os cinco anos da Bancada Feminina.

07/03/2026, 09h03
Duração de áudio: 06:10
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Transcrição
A Bancada feminina do Senado, que reúne 16 senadoras de nove partidos e está completando cinco anos, vem transformando a dinâmica de forças da Casa revisora. Não se trata “só”, entre muitas aspas, de defender as pautas consideradas femininas. É o que explica a atual líder da bancada, senadora Professora Dorinha Seabra, do União do Tocantins. Acho que é importante a gente quebrar uma imagem de que mulher só trata de assuntos ligados de projetos específicos de mulher. Não! Mulher não tem um cachotinho. "Ah, só vamos cuidar da pauta de projetos que envolvam mulheres". A gente não tem como separar. Mulher se preocupa com a qualidade de vida, com a questão do urbanismo. Nós queremos quebrar essa... na verdade, estigma, que acaba sendo um estigma contrário à mulher. Além das “entregas” legislativas, a ação articulada das senadoras vem modificando o funcionamento do Senado. Elas assumiram a presidência de comissões disputadas, como Orçamento e Relações Exteriores, passaram a ocupar cargos na Mesa Diretora e brigaram pela participação de pelo menos um membro da bancada em comissões parlamentares de inquérito. A líder Professora Dorinha garante que essas conquistas são irreversíveis. E uma das situações que têm feito a diferença é que hoje essa bancada está institucionalizada. A gente não tinha nem espaço físico. Nós não queremos admitir mais o que aconteceu no início dessa legislatura, que nós ficamos sem nenhuma vaga na Mesa. O próprio orçamento do Senado está, atualmente, nas mãos de uma mulher: a senadora Daniella Ribeiro, do PP da Paraíba, hoje comanda a Primeira-Secretaria da Mesa Diretora. Além de Daniella, fazem parte da atual composição da Mesa as senadoras Ana Paula Lobato, do PSB do Maranhão, e Soraya Thronicke, do Podemos de Mato Grosso do Sul.  A questão de termos uma liderança da bancada feminina é absolutamente inédito, com uma estrutura realmente de bancada, com direito a destaques. Isso nos trouxe um protagonismo muito interessante. E um assento no Colégio de Líderes também nos trouxe a condição de colocar em pauta os projetos de lei que são de interesse da bancada feminina. A Bancada Feminina do Senado conta hoje com 16 senadoras de 9 partidos. De acordo com Dorinha Seabra, os resultados desses cinco anos se devem especialmente à unidade do grupo. Uma coisa muito importante é o fato da gente não se dividir ideologicamente. A gente consegue discutir colocando Damares, Teresa Cristina, Eliziane Gama, Daniella Ribeiro, ou seja, diferentes cores partidárias. A professora Teresa Cristina de Novaes Marques, que leciona História Social e Política do Brasil na Universidade de Brasília e estuda mulheres pioneiras, reforça que o caminho de conquistas passa pela união. Essa ação conjunta, solidária, ela favorece a que mulheres possam ocupar posições de destaque e de decisão dentro da Casa legislativa. Isoladamente elas vão sempre enfrentar as barreiras da tradição, dos costumes que imperam dentro da Casa. Então, acredito que isso é um passo adiante no sentido de favorecer que as parlamentares possam usar de todo o seu potencial como proponentes de legislação. Também são efeitos do trabalho conjunto das senadoras o fortalecimento de órgãos como a Procuradoria da Mulher e o Observatório da Mulher contra a Violência, que têm promovido diversas ações de combate e prevenção à violência de gênero e de incentivo à participação de mulheres na política. A atual procuradora da mulher, senadora Augusta Brito, do PT do Ceará, quer levar essas ações a todos os estados do Brasil. É o caso do Zap Delas, que acolhe e orienta vítimas de violência política. Então é mais uma ferramenta que vem com o intuito de acolher a mulher, de fazer os encaminhamentos devidos e também de fazer com que as mulheres tenham a certeza que não estão sós em nenhum lugar do nosso país, em nenhum município, em nenhuma cidade. A gente quer garantir a elas que elas vão ter essa acolhida e essa orientação, além da orientação também o acompanhamento, se for necessário, de algum processo jurídico. Em 2025, quando as parlamentares inauguraram o gabinete da Liderança, a senadora Zenaide Maia, do PSD do Rio Grande do Norte, falou sobre o significado daquele gesto para as próximas gerações. Sabe o que me deixa aqui, feliz? É saber que nossas sucessoras já vão encontrar esse espaço e saber que é possível sim, mulheres brasileiras, fazer parte desse Congresso.   O Zap Delas pode ser acionado para denúncias de violência política de gênero pelo número (61)98309-0025. - Reportagem de Raíssa Abreu, com áudios da TV Senado

Ao vivo
00:0000:00