Debate aponta falta de autonomia financeira nas universidades federais
Audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia discutiu a autonomia financeira das universidades públicas e a necessidade de orçamento mais previsível para garantir planejamento e investimentos em pesquisa. O presidente do colegiado, senador Flávio Arns (PSB-PR), lembrou que a Constituição já garante essa independência, que não é vista na prática. Especialistas afirmaram que contingenciamentos e bloqueios dificultam a gestão das instituições e defenderam mudanças na legislação para ampliar a autonomia administrativa e financeira das universidades.

Transcrição
A autonomia financeira das universidades públicas ainda não saiu do papel.
A falta de previsibilidade no orçamento tem dificultado o planejamento e comprometido a pesquisa científica no país.
O tema foi debatido em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.
O presidente do colegiado, senador Flávio Arns, do PSB do Paraná, afirmou que a Constituição já garante a autonomia financeira das universidades.
(senador Flávio Arns) "A experiência nacional e internacional demonstra a necessidade de aprimorar práticas e parâmetros que assegurem o funcionamento efetivo dessa autonomia, garantindo previsibilidade orçamentária, estabilidade institucional e condições adequadas para o planejamento de médio e longo prazo das universidades públicas.”
Especialistas relataram que as universidades enfrentam bloqueios e contingenciamentos frequentes, o que impede investimentos de longo prazo.
O coordenador do Fórum de Pró-Reitores de Planejamento e Administração da Andifes, Evandro Rodrigues de Faria, afirmou que a autonomia prevista na Constituição ainda não existe na prática.
(Evandro Rodrigues de Faria) “Quando a gente fala de autonomia financeira previsto no artigo 207 da Constituição, nós não temos essa autonomia hoje na prática. A gente passa o ano inteiro esperando bloqueio, contingenciamento, e isso não permite definir investimentos em pesquisa nem políticas claras de assistência estudantil.”
Segundo Evandro, grande parte do orçamento das universidades é consumida por despesas básicas, como contratos de terceirizados e manutenção, o que reduz recursos para ensino e pesquisa.
Dados da Unifesp mostram que o orçamento para despesas essenciais nas universidades federais caiu quase pela metade entre os anos de 2018 e 2022.
Com supervisão de Hérica Christian, da Rádio Senado, Henrique Nascimento.

