Posicionamento político afeta a percepção do brasileiro sobre isenção do IR
O posicionamento político afeta a percepção do brasileiro acerca dos efeitos da isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. É o que mostra a pesquisa Quaest divulgada essa semana.

Transcrição
Aprovada no Senado Federal em novembro do ano passado, a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil por mês passou a valer em janeiro e pode ser sentida nos pagamentos recebidos neste mês. No entanto, a percepção quanto ao alcance desse benefício parece responder a outras dinâmicas além da matemática fria do contra-cheque.
Segundo uma recente pesquisa realizada pela Quaest, a parcela da população que acreditava que seria diretamente beneficiada com a isenção em outubro era de 61 por cento. No entanto, a parcela que afirmou perceber os benefícios da medida já implantada ficou pela metade: apenas 30 por cento afirmaram serem beneficiados.
O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, falou sobre o impacto esperado no seu estado ainda na discussão do projeto.
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e o nosso estado é, talvez, um dos estados com maior desigualdade social. Para que todos tenham uma ideia disso, a abrangência da isenção atinge 98% da população do Estado de Alagoas.
Por se tratar de uma pesquisa de opinião, o objetivo não era medir exatamente quanto cada trabalhador deixou de pagar, mas a percepção quanto à isenção. Trabalhadores com desconto em folha automático ou pessoas com múltiplas fontes de renda, por exemplo, podem fazer jus ao benefício e não perceberem os efeitos imediatamente.
Uma das maiores variações de impacto apresentadas foi a relacionada ao posicionamento político. Dentre os que se declararam partidários do atual presidente, 42 por cento afirmaram ter sido beneficiados. Já entre os que se declararam fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro, apenas 12 por cento disseram ter sido contemplados.
Dentre os beneficiados pela isenção, houve, também, diferenças quanto impacto do aumento da renda. Metade não sentiu a diferença, ao passo que 32 por cento sentiram que a renda aumentou, mas não muito. E para 15 por cento, o aumento foi significativo.
A pesquisa foi realizada com 2.004 brasileiros maiores de 16 anos. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

