CPI do Crime colheu 13 depoimentos em um mês de trabalho
Instalada em novembro, a CPI do Crime Organizado avançou nos trabalhos com a realização de oito reuniões e oitivas com autoridades e convidados. A comissão tomou o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, e aprovou 46 de requerimentos. Em 2026, a CPI deve aprofundar as investigações, com novas oitivas e análise do uso de plataformas digitais pelo crime organizado.

Transcrição
A CPI do Crime Organizado foi instalada em novembro para apurar a atuação e a expansão de facções criminosas e milícias no Brasil, buscando também aperfeiçoar a legislação sobre o tema.
Neste ano, foram feitas 8 reuniões e colhidos 13 depoimentos.
Entre eles, o do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, que tratou da relação entre o avanço de facções criminosas, o sistema prisional e decisões adotadas por governos estaduais ao longo dos últimos anos.
Já o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, apresentou à comissão um modelo de combate ao crime com integração entre as forças de segurança e uso intensivo de inteligência e tecnologia, que ele garante ter colocado o estado entre os mais seguros do país.
Também foram ouvidos o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, diretores da Polícia Federal e promotores que atuam contra facções.
O presidente da CPI é o senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo, que foi delegado por 27 anos, antes de ingressar na carreira política.
Ele defende que a ausência do poder público nas periferias gera um estado de vulnerabilidade onde o medo se impõe sobre a população.
(senador Fabiano Contarato) "Nós não podemos achar é que essa garantia constitucional que a segurança pública direito de todos do estado a população está vilipendiada aviltada morrendo quando o estado não está presente o medo se impõe e aí a população é que sofre porque é mais fácil é muito cômodo para quem fica nas suas casas nas suas residências com segurança com alimentação com plano de saúde com saneamento básico com iluminação e tentar julgar aqueles que estão lá subjulgados onde o Estado não está presente".
Já o relator, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, pontua que a CPI investigará a infiltração do crime organizado em todas as esferas do Estado e em diferentes poderes.
E reforça que o Judiciário não deve desenhar políticas públicas, mas que a solução para o crime organizado deve nascer de um trabalho técnico e legislativo.
(senador Alessandro Vieira) "Cada ator político tem seu papel, o papel do debate político do desenho de políticas públicas é do legislativo e do executivo ao judiciário não cabe esse papel. Acho que o trabalho tem que ser sóbrio, equilibrado é buscar construir os consensos técnicos que são possíveis na área, muita desinformação, inclusive por parte de tomadores de decisão relevantes".
Entre os 46 requerimentos já aprovados, está a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil e de outras autoridades e órgãos para explicarem como plataformas digitais são usadas por organizações criminosas.
Da Rádio Senado, Marcella Cunha

