Senadores comentam saída da Ford do Brasil — Rádio Senado
Indústria

Senadores comentam saída da Ford do Brasil

O encerramento das atividades da Ford no Brasil preocupou os senadores. Otto Alencar (PSD-BA) disse que a empresa recebeu todos os incentivos para sua instalação em Camaçari (BA) e pratica o capitalismo selvagem. Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que o governo federal precisa de políticas industriais mais eficientes e estratégias para reduzir o Custo Brasil. Já Plínio Valério (PSDB-AM) argumentou que a permanência da Ford na Argentina é um indício de que não haveria evasão de capital no Brasil caso seu projeto de taxar grandes fortunas fosse aprovado. A reportagem é de Marcella Cunha.

12/01/2021, 19h04 - ATUALIZADO EM 12/01/2021, 19h04
Duração de áudio: 02:53
Foto: Divulgação/FordBA

Transcrição
LOC: SENADORES LAMENTAM A SAÍDA DA FORD APÓS 100 ANOS DE PRODUÇÃO NO BRASIL. LOC: SEGUNDO A MONTADORA, O FECHAMENTO DA LINHA DE PRODUÇÃO BRASILEIRA É MAIS UM PASSO DO PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO GLOBAL. A REPORTAGEM É DE MARCELLA CUNHA (Repórter) A Ford anunciou o encerramento definitivo das atividades no Brasil. Serão duas fábricas fechadas imediatamente: Camaçari, na Bahia e Taubaté em São Paulo, e no fim do ano, se encerram as operações em Horizonte, no Ceará. A empresa tem mais de 6 mil funcionários no país. Segundo a Ford, a decisão foi tomada porque “a pandemia ampliou a capacidade ociosa da indústria e a redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas". O senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, lembrou que a montadora se instalou no estado atraída por incentivos fiscais e com a convalidação deixou de pagar cerca de 2 bilhões de reais em tributos. (Otto Alencar) Teve aqui todos os incentivos, o terreno com terraplanagem, os incentivos fiscais do estado, do governo federal, teve juros equalizados. A Ford deu um duro golpe no polo industrial de Camaçari de forma inesperada. Acredito que uma empresa sem compromisso social que faz e pratica o capitalismo selvagem. (Repórter) Para a senadora Eliziane Gama, do Cidadania do Maranhão, o Brasil precisa de políticas industriais mais eficientes. (Eliziane Gama) Jamais poderíamos receber como normal o fechamento de uma indústria como a Ford. Com certeza o mercado tem suas regras, mas falta ao Governo Federal políticas industriais e de emprego muito mais competentes e eficientes. A insegurança da política do atual presidente e o custo do Brasil dificultam em muito os negócios para o nosso país. (Repórter) Para o senador Plínio Valério, do PSDB do Amazonas, a permanência da Ford nos países vizinhos desmonta o argumento de que a taxação de grandes fortunas seria um problema para as indústrias. (Plínio Valério) Capital não tem pátria, não tem essa de gratidão, não pensa no país onde se instalou. Todas as vantagens foram ofertadas pelo Governo da Bahia. Tudo o que a Ford queria conseguiu lá. Eu que tenho um projeto para taxar as grandes fortunas e as críticas que surgem no Brasil e até do ministro Paulo Guedes é de que o capital vai evadir, vai embora. A Ford está indo exatamente ficando na Argentina onde acabam de taxar grandes fortunas. (Repórter) Segundo a Ford, o fechamento no Brasil é mais um passo do processo de reestruturação global. Em 2018, a empresa já havia anunciado que migraria da fabricação de sedãs para uma linha de 90% de picapes, SUVs e carros elétricos. Em 2019, a empresa fechou sua fábrica na França e em 2016 na Austrália.

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