Dilma classifica seu afastamento como "segundo golpe" de sua vida e promete oposição incansável — Rádio Senado
Julgamento do Impeachment

Dilma classifica seu afastamento como "segundo golpe" de sua vida e promete oposição incansável

31/08/2016, 19h42 - ATUALIZADO EM 31/08/2016, 19h42
Duração de áudio: 02:56
Brasília - DF, 31/08/2016. Presidenta Dilma Rousseff durante declaração a imprensa após comunicado do Senado Federal sobre o Processo de impeachment. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Transcrição
LOC: JÁ NA CONDIÇÃO DE EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF FEZ UM DISCURSO NO PALÁCIO DA ALVORADA, NA TARDE DESTA QUARTA-FEIRA. LOC: DILMA CLASSIFICOU SEU AFASTAMENTO COMO “O SEGUNDO GOLPE” DE SUA VIDA E PROMETEU OPOSIÇÃO INCANSÁVEL A TEMER. REPÓRTER MARCELA DINIZ: (Repórter) Depois de ser notificada, oficialmente, sobre a decisão do Senado de afastá-la, de forma definitiva, do cargo de presidente da República, Dilma Rousseff fez um pronunciamento no Palácio da Alvorada. Em meio à apoiadores e à imprensa, reafirmou sua inocência, disse que os senadores que votaram pelo seu impedimento “rasgaram a Constituição” ao interromper “o mandato de uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade” e que essa decisão entrará “para a história das grandes injustiças”: (Dilma Rousseff) Com a aprovação do meu afastamento definitivo, políticos que buscam desesperadamente escapar do braço da Justiça tomarão o poder unidos aos derrotados nas últimas quatro eleições. Não ascendem ao governo pelo voto direto, como eu e Lula fizemos em 2002, 2006, 2010 e 2014. Apropriam-se do poder por meio de um golpe de Estado. (Repórter) Ao reafirmar a tese de “golpe”, Dilma Rousseff classificou seu afastamento como um ato misógino, homofóbico, racista, contra os movimentos sociais e os mais pobres. O “segundo golpe” que ela teria enfrentado em sua vida: (Dilma Rousseff) O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculência das armas, da repressão e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurídica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo. (Repórter) A ex-presidente fez, também, duras críticas às forças políticas que apoiaram o impeachment e, também, à imprensa: (Dilma Rousseff) Causa espanto que a maior ação contra a corrupção da nossa história, propiciada por ações desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados. O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária, com o apoio de uma imprensa facciosa. (Repórter) Dilma Rousseff anunciou uma oposição dura ao governo Temer e disse que ainda vai questionar, na justiça, a decisão do Senado: (Dilma Rousseff) Eles pensam que nos venceram, mas estão enganados. Haverá contra eles a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer. Estou certa que a interrupção deste processo pelo golpe de estado não é definitiva. Voltaremos para continuar nossa jornada rumo a um Brasil em que o povo é soberano. (Repórter) Nos quase doze minutos de pronunciamento, Dilma também citou o sociólogo Darcy Ribeiro e declamou trecho do poema “E então, que quereis?”, do poeta russo Vladimir Maiakóvski.

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