Senado Verifica orienta eleitores contra fake news em ano eleitoral
O serviço Senado Verifica já se prepara para enfrentar o aumento da desinformação em ano eleitoral. Em 2025, o canal quase dobrou o número de atendimentos em relação ao ano anterior e passou a receber mais pedidos relacionados a conteúdos manipulados com uso de inteligência artificial, como vídeos e áudios falsos. Além da checagem de informações, o Senado Verifica também aposta na educação midiática para ajudar o cidadão a identificar notícias falsas, navegar com mais segurança no ambiente digital e tomar decisões informadas nas eleições. Acompanhe a entrevista com a chefe do serviço Senado Verifica, Sara Reis.

Transcrição
Henrique: Com as eleições se aproximando e o avanço acelerado de tecnologias como a inteligência artificial, o combate à desinformação se torna ainda mais desafiador. Em 2025, o serviço Senado Verifica quase dobrou o número de atendimentos e já se prepara para um aumento na demanda em ano eleitoral, com atenção especial a conteúdos manipulados como vídeos e áudios falsos. Para explicar como funciona o trabalho de checagem, os principais riscos da desinformação e o papel da educação midiática na proteção do eleitor, a gente conversa agora com Sara Reis, chefe do serviço Senado Verifica. Sara, muito obrigado por conversar com a gente.
Sara: Olá Henrique, eu que agradeço a oportunidade.
Henrique: Sara, para começar, o Senado Verifica registrou um crescimento significativo no número de atendimentos no último ano. O que mudou no perfil das dúvidas que chegam ao serviço e o que isso revela sobre o ambiente de informações que o eleitor enfrenta hoje? Olha Henrique, a gente recebeu muitas dúvidas que E especialmente por aplicativos de mensagem, né? Esses aplicativos que a gente usa aí pra falar com a família, com os amigos e até mesmo muita gente usa pra trabalhar, né? E é por ali, né, que as mensagens chegam. Especialmente aquelas encaminhadas com mais frequência, né? Então esse é um primeiro alerta, quando você ver aí você olha assim, tem uma mensagem caminhada com frequência, é muito importante a gente já parar um pouquinho, respirar e conseguir aí checar, né, ir lá verificar, vai num site de buscas, vai numa agência de notícias que você gosta de ler as notícias, né, Então, a gente recebeu, foram mais de 1.500 pedidos, a maioria chegou pelo WhatsApp, o que o Senado verifica tem um canal no WhatsApp. Então, a gente recebeu, especialmente em 2025, muitas denúncias sobre descontos indevidos no INSS. Então, muita gente que estava acompanhando os trabalhos da CPMI, do INSS, essas pessoas acabaram mandando para a gente muitas dúvidas e também denúncias. Só que a gente teve outros temas também. Por exemplo, a reforma do Código Civil, ela que está em debate no Senado, ainda na comissão especial criada para discutir esse tema, nossa, ela foi muito alvo de fake news. Coisas muito tristes até da gente ver, das pessoas compartilharem, mas também a gente acabou aí desmentindo muitas fake news sobre isso também.
Henrique: E 2026, o ano mais desafiador por ser ano eleitoral, como é que vai ser esse trabalho de vocês?
Sara: Então, é bastante desafiador e eu vou te falar que o ano eleitoral, o ciclo eleitoral, ele já começou, tá Henrique? Muita gente já em 2025 começou a mandar para a gente dúvidas aí sobre segurança das urnas eletrônicas, sobre como funciona a questão da votação, mandaram também assim muitas perguntas Deepfakes envolvendo questões eleitorais também, envolvendo senadores. Então, a gente já está bem atento, porque são assuntos que já estão... A desinformação em ciclo eleitoral começa muito antes do ano eleitoral. Então, essas mensagens já começaram a circular um ano antes da eleição... justamente para tentar confundir o eleitor, para tentar descredibilizar o sistema eleitoral. Mas é importante a gente destacar que o Senado é um parceiro permanente do Tribunal Superior Eleitoral, da Justiça Eleitoral, no combate à desinformação. Então, esse é o nosso maior desafio, porque o Senado verifica, ele não tem só o papel de verificar, de fazer a checagem da informação. A gente tem um papel proativo, que é mesmo de investir em educação midiática e poder prevenir as pessoas antes mesmo que elas tenham esse contato com a fake news.
Henrique: Bacana falar sobre a educação midiática, porque, na prática, o que significa essa educação midiática e por que ela é tão importante em um ano eleitoral, Sara?
Sara: Olha Henrique, eu digo que nós não fomos alfabetizados para usar o celular, por exemplo. O celular chegou na nossa vida, a gente faz tudo pelo celular, entra em aplicativo, faz pagamento bancário, conversa com as pessoas. entra na internet, resolve, agora a gente conversa até com o chat de PT, com a IA, então é um aparelhinho que ele resolve a nossa vida, virou quase uma extensão da nossa mão ali, você está sempre segurando alguma coisa e conversando com alguém. Mas a gente, infelizmente, a gente não foi alfabetizado para usar, a gente não aprendeu como usar. E às vezes a gente fica com aquela impressão de que a gente sabe tudo, que a gente dá conta, só que o mundo digital tem muitas armadilhas, porque é muito perigoso. Você vê o tanto de pessoas que estão caindo em golpes, que são enganadas, que acabam pagando um boleto falso ou acabam ali acreditando numa notícia porque está dentro de um grupo, da família. Então... Hoje os especialistas, as pessoas que estão estudando sobre isso, elas falam o quê? Que a desinformação é um problema sistêmico, ela não é só a informação falsa, ela é tudo, né? Ela é o ambiente que a gente está ali conectado, ela é muitas vezes a falta da regulação, porque aí fica aquele ambiente às vezes... que não tem muito regramento, apesar de ter as regras do direito da nossa vida real valem para a internet, e fica tudo muito solto. Então, é importante o quê? Que a gente aprenda a usar essa ferramenta. Se a gente aprende a usar a ferramenta, se tem ali conhecimento sobre como usar a ferramenta, a gente acaba não caindo nessas armadilhas, ou até alertando as pessoas que estão próximas a nós.
Henrique: E quando um cidadão envia essa pergunta, essa dúvida para vocês, qual é o caminho dessa informação até a classificação como fato, fake ou impreciso?
Sara: Então, Henrique, eles podem entrar em contato com a gente de três formas. Eles podem entrar via ouvidoria do Senado, eles podem mandar um e-mail para o e-mail do Senado Verifica e eles podem entrar em contato direto com a gente pelo WhatsApp. Então, geralmente, a maioria entra em contato pelo WhatsApp. E aí é um atendimento bem direto. Na hora que ele manda ali para nós, a gente já pede uma identificação por conta da Lei Geral de Proteção de Dados. Esses dados ficam sobre a nossa guarda em segredo, tudo certinho de acordo com a lei, mas é importante que as pessoas se identifiquem para poder também cumprir a nossa política de uso. E a partir do momento que ele entra em contato e tem essa questão da identificação, a gente vai identificar. Ah, é uma dúvida sobre o Senado, sobre um projeto de lei, sobre uma atividade legislativa? Aí a gente vai atrás da informação. Agora, muitas vezes, chegam dúvidas assim... sobre o Supremo Tribunal Federal ou sobre a atuação do governo federal no sentido do executivo, né? Ali de ser um ministério. Aí a gente passa também, tem essa parceria, né? também de indicar para a pessoa falar ali com a outra instituição. Aqui no nosso caso, a dúvida tem que estar ligada à questão da atividade legislativa, para a gente poder ir checar. E aí, avaliando ali, a gente vai ver nas fontes oficiais. Aí a gente vai, por exemplo, na nota taquigráfica, que é ali o registro de uma comissão, da sessão, Ah, isso realmente foi votado? Isso realmente foi falado? Então a gente sempre busca fazer essa checagem de acordo com o documento oficial. E aí a gente manda tudo certinho para o cidadão. Olha, isso aqui realmente aconteceu, ou isso aqui não é bem assim, que é o impreciso, né? E tem o fake, que é isso aqui, é mentira, muito cuidado, não compartilhe. E dependendo da avaliação, isso vira também uma checagem oficial no portal do Senado Verifica.
Henrique Perfeito. Como o serviço está se preparando para lidar com esse o eleitoral? Tem alguma preparação especial para esse momento?
Sara: Tem sim, já no ano passado, em 2025, a gente fez, retomou as conversas com o pessoal, com a equipe lá do Tribunal Superior Eleitoral, então a gente já vem se organizando e planejando as atividades em conjunto, especialmente para que se chegar até nós também dúvidas sobre processo eleitoral, sobre a confiabilidade das urnas, enfim, qualquer dúvida que remeta ao processo eleitoral, à integridade da informação, que a gente possa também combater e ter aí ferramentas para ajudar as pessoas a se prevenirem contra as fake news. Lembrando, Henrique, é muito importante a gente lembrar e a Justiça Eleitoral está preocupada com isso, a eleição para o Senado Federal em 2026 envolve duas vagas. No Senado a gente tem eleição alternada, então em uma eleição a gente renova um terço do Senado, Elas vão para a disputa e na outra eleição, dois terços. Então, esse ano, o eleitor vai votar em duas pessoas, em dois candidatos para o Senado Federal. Então, ele tem que ter muita atenção, ele tem que estar mais... Ele tem que estar sabendo, tem que estar por dentro. É muito importante que ele saiba qual a função do senador e que ele escolha essas duas pessoas na hora de ir lá votar. Então é uma preocupação, sim, da justiça eleitoral para que as pessoas cheguem bem informadas na hora de votar. Então a gente tem um desafio imenso que é não só combater a fake news, mas fazer com que o cidadão esteja preparado para votar lá em outubro, para que ele chegue até a urna informado de que são duas vagas para o Senado E que é muito importante que ele saiba qual a função do senador para que ele seja preparado para escolher um bom candidato.
Henrique: Bacana. Eleitor preparado faz a diferença, né, Sara?
Sara: Com certeza.
Henrique: Sara, sobre esse assunto, tem algo que a gente não comentou que você gostaria de acrescentar?
Sara: Henrique, eu queria reforçar essa questão do... do papel do Senado Verifica, que a gente completou cinco anos em 2025, então são milhares de pessoas atendidas, nossas checagens também já tiveram milhares de visualizações. Mas o combate à desinformação, ele é muito... Ele depende de todos nós, né? A gente só como instituição, como equipe que trabalha com isso, não vai conseguir combater sozinho. O que a gente percebe é que muita gente conhece o Senado e verifica e acaba voltando. Então, eu acredito que as pessoas estão começando a criar uma consciência sobre esse problema da desinformação. E elas estão voltando com essa consciência do opa, deixa eu ver se isso aqui é verdade mesmo. A gente não pode confiar e nem acreditar em tudo que a gente vê. Especialmente com a inteligência artificial, Henrique, está demais. Olha, vocês viram aí que uma moça lá do Rio Grande do Sul acreditou que ela estava conversando com o Brad Pitt. Então, assim, é um caso de alerta. As pessoas estão acreditando em qualquer coisa que chega no celular. E a gente tem que desconfiar mesmo, porque a tecnologia está muito avançada. Então, eu posso estar falando agora aqui com o Henrique e ser uma fake da Sara falando, né? Tem IA até para simular a nossa voz. Sobre um projeto, sobre algo que foi votado, às vezes chega para você, foi votado na madrugada um projeto, ninguém quer que você saiba. Desconfia, né? Desconfia, vai no canal oficial, portal de notícias do Senado Federal é o caminho. Se não estiver lá, gente, tem alguma coisa errada. Tudo que acontece no Senado Federal está no portal do Senado Federal. Então, priorize os canais oficiais. Observa se o texto não está muito excessivo, apelando para a sua emoção, passando algum medo, passando algum terror ali, alguma coisa que vai fazer você ficar com muita raiva e querer compartilhar a informação rápido. A desinformação usa muito essa tática para que você nem pense e já esteja compartilhando. Vocês têm que ver sempre se a notícia está completa, se o dado não está sendo usado fora do contexto. Às vezes a imagem é real, mas é uma imagem antiga. que está relacionada a outro fato, né? E aí a pessoa está ali passando como se fosse algo que estivesse acontecendo agora, né? Então a gente tem que manter uma postura crítica. É um primeiro passo para que a gente fique mais bem informado e também que a gente possa se proteger. E mais uma vez, Henrique, muito, muito cuidado com inteligência artificial. não acredite nesses vídeos que vocês estão vendo, porque, infelizmente, tem muita gente usando a inteligência artificial, que é uma ferramenta maravilhosa, que pode ser usada para muitas coisas, mas as pessoas acabam usando para nos manipular, para nos enganar e para fazer mal para a nossa família. E é isso. A gente tem que pensar que o mal... A desinformação, ela mata. E ela pode chegar a prejudicar a nossa família, quem a gente ama. Porque, às vezes, você vai estar passando para frente uma desinformação que está prejudicando a sua comunidade, que pode prejudicar a sua cidade, que pode prejudicar as pessoas que você gosta. Então, a gente tem que ter muito cuidado com isso. Muito mesmo. Especialmente as pessoas mais velhas, A gente tem que estar de olho aí, conversando com nossos pais, conversando com os avós, porque esse pessoal está ligado aí no celular, vendo essas postagens aí nos aplicativos de mensagem e sem esse filtro necessário para saber se aquilo ali é fake, se é real, se é impreciso. E se qualquer dúvida, pode falar com a equipe do Senado Verifica.
Henrique: A regra é a gente desconfiar de tudo que a gente vê nas redes sociais, principalmente.
Sara: Então, infelizmente, Henrique, a gente agora tem que desconfiar de tudo. E depois a gente vai lá, né? Antes de passar para frente, a gente vai e confere se aquilo é real ou não. Eu vou reforçar aqui o número do WhatsApp do Senado Verifica. É o 61, que é o DDD... 981900601. Reforçando, pessoal, 61981900601. Qualquer coisa é só escrever lá no Google Senado Verifica, que a nossa página também vai estar lá em primeiro lugar.
Henrique: Eu conversei com a Sara Reis, chefe do serviço Senado Verifica, sobre os desafios do combate à desinformação em ano eleitoral, o impacto do uso de inteligência artificial na produção de conteúdos falsos e a importância da educação midiática para proteger o eleitor. Para proteger o eleitor. Sara, muito obrigado pela entrevista.
Sara: Eu que agradeço, Henrique, muito obrigada e um abraço aí para todo mundo da Rádio Senado.

