Boletim.leg - Edição das 22h
Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo motiva projetos no Senado, enquanto outra proposta da Casa garante recursos permanentes para políticas afirmativas em defesa das cotas.

Transcrição
DIA NACIONAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO MOTIVA PROJETOS NO SENADO
como o que regulamenta a expropriação de imóveis rurais e urbanos onde haja a exploração de trabalhadores.
EM DEFESA DAS COTAS, PROPOSTA DO SENADO GARANTE RECURSOS PERMANENTES PARA POLÍTICAS AFIRMATIVAS
... EU SOU REGINA PINHEIRO E ESTE É O BOLETIM PONTO LEG
28 DE JANEIRO É O DIA NACIONAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO.
NO SENADO, AGUARDAM ANÁLISE PROJETOS SOBRE DESAPROPRIAÇÃO DE TERRAS ONDE FOR CONSTATADO TRABALHO EM CONDIÇÕES ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO E SOBRE MAIOR PROTEÇÃO A TRABALHADORES RESGATADOS. REPÓRTER MARCELA DINIZ:
O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo é em 28 de janeiro por causa da Chacina de Unaí, ocorrida em 2004 nessa cidade mineira. Três fiscais do trabalho e o motorista do grupo foram assassinados enquanto apuravam denúncias de trabalho análogo à escravidão em fazendas da região.
No Senado, o tema do trabalho escravo é tratado em projetos como o que regulamenta a expropriação de imóveis rurais e urbanos onde haja a exploração de trabalhadores. A perda da posse dessas propriedades é prevista desde 1988 pela Constituição Federal mas, para ter efetividade, o dispositivo exige regulamentação. A proposta aguarda decisão da Comissão de Assuntos Sociais desde 2023. O relator é o senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul:
(sen. Paulo Paim) " muitos ficam assustados. Eu digo: 'Não precisa se assustar não, fique tranquilo! É só você não escravizar ninguém que a sua propriedade está protegida'."
Outra proposta em debate no Senado foca no acolhimento aos resgatados de situações de exploração e dá especial atenção às empregadas e empregados domésticos, como explica o senador Veneziano Vital do Rêgo, do MDB da Paraíba:
(sen. Veneziano) "O projeto reconhece que esse setor apresenta riscos específicos de exploração, em razão do isolamento do local de trabalho, da assimetria de poder entre empregador e empregado e da naturalização histórica de práticas abusivas."
O projeto está pronto para votação na Comissão de Constituição e Justiça, com parecer favorável do senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco.
A COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA PODE DOBRAR A PENA PARA O FURTO E ROUBO DE APARELHOS CELULARES. MAIS DETALHES COM O REPÓRTER BRUNO LOURENÇO.
O projeto de lei, de autoria do presidente da Comissão de Segurança Pública, senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, dobra a punição para o furto de celulares; a pena passa de 1 a 4 anos para quatro a oito anos de prisão e multa. O senador Efraim Filho, do União da Paraíba, que foi relator na Comissão de Constituição e Justiça de proposta semelhante, diz que o Código Penal, de 1940, precisa de atualizações constantes.
Às vezes, se usa muito uma crítica corriqueira, que é a de populismo penal: se querer aumentar pena por aumentar pena. Não é o caso. Há um estudo muito bem-feito aqui de crimes que ganharam uma outra dimensão e uma outra magnitude diante da transformação, da velocidade da transformação da sociedade.
O relator na CSP, senador Márcio Bittar, do PL do Acre, sugere ainda incluir o roubo de celulares, que é a subtração do bem com o uso de violência, nas hipóteses em que a pena pode ter uma elevação de 33 a 50%.
A JUSTIÇA DE SANTA CATARINA SUSPENDEU NESTA TERÇA-FEIRA A LEI ESTADUAL QUE PROÍBE A OFERTA DE VAGAS EM COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES. NO SENADO, UMA PROPOSTA GARANTE APOIO PERMANENTE PARA POLÍTICAS AFIRMATIVAS. REPÓRTER LANA DIAS.
A proibição das cotas em Santa Catarina valia para ingresso de estudantes e contratação de professores, técnicos e outros cargos; e permitia a reserva de vagas apenas para pessoas com deficiência, de baixa renda ou estudantes de escolas públicas.
A decisão da justiça de suspender a medida é temporária e segue o STF, que já reconheceu a constitucionalidade de ações afirmativas, inclusive as políticas raciais.
No Legislativo, o Senado discute uma proposta que garante recursos permanentes para políticas públicas, como cotas, para a população negra. Em debate na Comissão de Direitos Humanos, o autor do texto, senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, citou índices que demonstram a desigualdade racial no país.
(Senador Paulo Paim) "
De acordo com o IBGE, 70% das pessoas em situação de extrema pobreza no Brasil são negros e negras e pessoas pardas".
O texto segue em análise na Comissão de Constituição e Justiça.
OUTRAS NOTÍCIAS ESTÃO DISPONÍVEIS EM: SENADO.LEG.BR/RADIO.

