Senado abre exposição inédita sobre bebês sobreviventes de Dachau
26/02/2026, 20h54
Em 1944, no final da Segunda Guerra Mundial, sete mães de origem húngara deram à luz sete bebês, no campo de concentração de Dachau, no sul da Alemanha. Todos sobreviveram.
Esse fato, inédito na história do Holocausto, é o tema da exposição “Eles nos deram esperança de novo - gravidez e nascimento no subcampo Kaugering 1' Dachau”. A mostra, produzida pelo governo alemão, e poderá ser visitada no Congresso Nacional, pela primeira vez no mundo.
Memória preservada
A exposição será aberta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, nesta terça-feira (3), às 15h, no Salão Negro. Contará com a presença de um dos bebês sobreviventes, George Legmann, que vive no Brasil desde 1961 e deu a ideia da mostra.
A história das sete crianças sobreviventes do campo de Dachau é contada em 37 banners. O conteúdo expositivo — documentos, registros históricos e relatos sobre o nascimento das crianças — está disponível em português e inglês.
George Legmann ressalta que um milhão e meio de crianças morreram no Holocausto, o que mostra a relevância da sobrevivência dos bebês de Dachau, fato único em campos de concentração nazistas.
— No campo de Dachau, morreram não só judeus, mas também cristãos, testemunhas de Jeová, ciganos, negros, padres. Um regime totalitário, como o nazismo, atinge toda a humanidade — ressalta.
A salvação
George Legmann conta que um médico notou que sete prisioneiras estavam grávidas e pediu instruções a Auschwitz. Mas a guerra já estava chegando ao final, a tropas soviéticas se aproximavam:
— Olha, eu achei sete mulheres grávidas, o que eu faço com elas? ”Você faz o que bem desejar, porque aqui, em Auschwitz, na nossa direção, estão vindo as tropas da União Soviética, já estão muito perto, e nós estamos tentando esconder o que nós fizemos". E eu não sei se foi um ato de boa vontade, um ato de lucidez, qual foi... ele deixou essas sete mulheres sobreviverem, é um caso único na história do Holocausto... e levou-as para um outro campo, chamado Kaufergum, super perto de Dachau, onde deu condições mínimas de essas mulheres darem à luz.
Para ele, além de salvar a sua mãe e as outras seis mulheres, o médico também salvou a sua vida:
— O médico não foi executado porque ele deu para essas sete mães cinquenta latas de leite condensado bem perto do fim da guerra. E a minha mãe escreveu uma carta dizendo que ele teve esse ato de boa vontade. Essa carta existe e está documentada.
Legmann tornou-se amigo de outro “bebê de Dachau”, Leslie Rosenthal, que vive no Canadá. O outro sobrevivente mora nos Estados Unidos. E das quatro bebês, uma mora em Israel, duas na Hungria e uma na República Eslovaca.
Depois do Senado Federal, a exposição vai circular por todo o Brasil, com o apoio Confederação Israelita do Brasil (Conib) para ser mostrada, sobretudo, para crianças.
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SERVIÇO |
| Evento: Abertura da exposição “Eles nos deram esperança de novo - gravidez e nascimento no subcampo Kaugering 1 Dachau” |
| Data: 03/03/2026 |
| Horário: 15h |
| Local: Salão Negro |
| Visitação: 3 a 30 de março |
| Entrevista: George Legmann estará disponível para entrevista na segunda-feira (2). Os interessados devem enviar solicitação para imprensa@senado.leg.br. |
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