Indicação de Ministro do STF: como é feita a análise no Senado
31/03/2026, 18h07
Os ministros do Supremo Tribunal de Federal (STF) são nomeados pelo Presidente da República e aprovados pelo Senado Federal, de acordo com a Constituição Federal.
Art. 101. O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze Ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 122, de 2022)
Parágrafo único. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.
A análise da indicação é feita de acordo com normas previstas no Regimento Interno do Senado Federal – RISF. Compete à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) emitir parecer, quanto ao mérito, sobre a escolha de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme o Art. 101, inciso II, alínea I.
A sabatina dos indicados é obrigatória para todos os cargos previstos na Constituição (Capítulo II, Da escolha das autoridades, Art. 383, RISF).
Todo cidadão pode participar do processo de arguição dos indicados a autoridades, inclusive para o cargo de ministro do STF, enviando informações ou perguntas por meio do portal e-Cidadania e pelo telefone 0800 061 2211. As manifestações recebidas são entregues ao relator da indicação, que decide quantas e quais mensagens são encaminhadas ao indicado, conforme o seu entendimento e o tempo disponível. A interatividade foi iniciada durante a análise da indicação do jurista Luiz Edson Fachin (12/05/2021) para o cargo de ministro do STF. A sabatina na CCJ durou mais de 11 horas; e foram enviados 656 comentários de internautas.
A sabatina do ministro Alexandre de Moraes foi a mais longa dentre os atuais integrantes do STF: 12 horas.
Os nomes do ministro Luiz Fux e da ministra Cármen Lúcia — segunda mulher a presidir o tribunal — foram aprovados por unaminidade pela CCJ. Luiz Fux também teve a maior votação no Plenário do Senado: 68 votos favoráveis e 2 contrários.
A indicação deve ser aprovada pela maioria absoluta da CCJ — metade mais um dos senadores. Somente membros votam. E a votação é secreta, presencial.
Após a análise da comissão, compete ao presidente do Senado a inclusão da matéria na pauta do plenário. A aprovação do nome indicado para Ministro do STF requer o voto favorável da maioria absoluta da composição da Casa (Art. 288, inciso III, alínea d, RISF).
Aprovada a indicação, o Senado comunicará a decisão ao poder Executivo que deverá providenciar a publicação da nomeação no Diário Oficial da União. A posse no Supremo Tribunal Federal é definida pela presidência daquele órgão.
Se a indicação for rejeitada, o Presidente da República poderá fazer nova indicação. Não há prazo.
Rejeição
O Senado Federal rejeitou 5 indicações para ministro do STF em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto.
Os indicados foram: Barata Ribeiro, Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros, Antônio Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo.
A única justificativa encontrada foi a proferida na indicação de Barata Ribeiro, em que o Senado entendeu que o candidato não tinha notável saber jurídico.
Na página do Supremo Tribunal Federal na internet consta, da biografia de Barata Ribeiro a seguinte informação:
“Em decreto de 23 de outubro de 1893, foi nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal, preenchendo a vaga ocorrida com o falecimento do Barão de Sobral; tomou posse em 25 de novembro seguinte.
Submetida a nomeação ao Senado da República, este, em sessão secreta de 24 de setembro de 1894, negou a aprovação, com base em Parecer da Comissão de Justiça e Legislação, que considerou desatendido o requisito de “notável saber jurídico” (DCN de 25 de setembro de 1894*, p. 1156). Em consequência, Barata Ribeiro deixou o exercício do cargo de Ministro em 24 do referido mês de setembro.”
Foi rejeitada, ainda, a Mensagem (STF) 7/2026 com a indicação do nome do advogado geral da União, Jorge Messias, para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Luís Roberto Barroso. Após 8 horas de sabatina, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a indicação por 16 votos favoráveis e 11 contrários. No Plenário, entretanto, foi rejeitada por 42 votos contra, 34 a favor e uma abstenção. Essa foi a primeira vez que uma indicação ao STF foi rejeitada em 132 anos.
Confira, no quadro abaixo, as informações sobre sabatinas e aprovações de nomes indicados para ministro do STF da composição atual.
|
Nome
|
Nomeação (DOU)
|
Presidente
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Duração Sabatina
|
Votação / CCJ
Sim x Não x abst
|
Votação/Plenário
Sim x Não x abst
|
|
Gilmar Mendes |
28/05/2002 |
FHC |
4h |
16x6x0 |
57x15x0 |
|
Cármen Lúcia |
26/05/2006 |
Lula da Silva |
3h |
23 (unanimidade) |
55x1x0 |
|
Dias Toffoli |
02/10/2009 |
Lula da Silva |
8h |
20x3x0 |
58x9x3 |
|
Luiz Fux |
11/02/2011 |
Dilma Rousseff |
4h |
23 (unanimidade) |
68x2x0 |
|
Edson Fachin |
25/05/2015 |
Dilma Rousseff |
11h |
20x7x0 |
52x27x0 |
|
Alexandre de Moraes |
22/02/2017 |
Michel Temer |
12h |
19x7x0 |
55x13x0 |
|
Kassio Nunes Marques |
22/10/2020 |
Jair Bolsonaro |
10h |
22x5x0 |
57x10x1 |
|
André Mendonça |
02/12/2021 |
Jair Bolsonaro |
8h |
18x9x0 |
47x32x0 |
|
Cristiano Zanin |
05/07/2023 |
Lula da Silva |
8h |
21X5 |
58x18 |
|
Flávio Dino |
22/02/2024 |
Lula da Silva |
10h36 |
10 X 17 |
47x31x2 |
A lista completa de ministros do STF (composição atual e histórico a partir de 1988) está disponível no portal do Senado.
Para consultar a apresentação e o andamento das indicações de autoridades use a feramenta de busca na aba Pesquisa Avançada, utilizando os seguintes parâmetros: Em tramitação; Tipo de matéria legislativa/Outros tipos: OFS - Ofício "S" e/ou MSF ; e, no campo Pesquisa Textual: nome do indicado.
Pesquisa em todas informações que aparecem na página da matéria, como ementa, apelido, tramitação, descrição dos arquivos anexados, etc.
Exemplos de busca: PLS 50/1990, crimes hediondos, "rol dos crimes hediondos"


