IFI faz alerta para contas estaduais e alta de impostos em 2026
O Relatório de Acompanhamento Fiscal de feveireiro divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que 2026 será focado na meta de déficit zero, adiando reformas profundas para 2027. O diretor Alexandre Andrade alerta para a piora nas contas dos estados em 2025, impulsionada por gastos com pessoal, o que ameaça a continuidade de obras públicas. Para fechar as contas, o governo aposta no aumento do Imposto de Importação, buscando arrecadar até R$ 20 bilhões extras neste ano.

Transcrição
A Instituição Fiscal Independente divulgou o Relatório de Acompanhamento Fiscal de fevereiro que revela que 2026 será um ano de foco no cumprimento da meta de déficit zero.
Reformas estruturais mais profundas, segundo a análise, devem ficar para 2027, já que este é um ano eleitoral e o espaço para medidas mais duras tende a ser reduzido.
O documento destaca que o país ainda convive com dívida elevada e juros altos, o que pressiona o resultado das contas públicas.
A estratégia do governo, neste cenário, é cumprir a meta fiscal dentro das margens previstas no arcabouço, evitando um novo avanço do endividamento.
O principal alerta do documento é que as contas dos governos estaduais e do Distrito Federal pioraram bastante em 2025, e o resultado primário ficou praticamente zerado, com superávit de apenas 0,04% do PIB.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, explica que os estados gastaram muito dinheiro com salários e alerta para o impacto direto disso no dia a dia da população.
Acende um sinal de alerta porque se tratam de despesas obrigatórias de caráter continuado. E caso ocorra aí alguma reversão no cenário que afete a arrecadação desses entes, os estados podem ter problemas e os investimentos tendem a ser uma das variáveis a sofrer ajustes. Então, os investimentos são, basicamente, obras, né? Pode haver um risco de interrupção dessas obras, de desmobilização...
O relatório também trata das estratégias adotadas pelo Governo para ampliar a arrecadação e cumprir a meta fiscal deste ano.
Uma das medidas foi o aumento do Imposto de Importação sobre bens de capital e produtos de informática e telecomunicações.
A iniciativa tem potencial de reforçar as receitas da União em 2026, como explicou o diretor da IFI, Alexandre Andrade.
Para equilibrar um pouco a balança comercial desses bens e segundo lugar também para conseguir fontes de arrecadação, tendo em vista que o governo precisa, né, para fechar a meta de resultado primário. O aumento dessas alíquotas vai representar uma arrecadação importante de cerca de 15 bilhões, 14 bilhões, né, para ser mais exato (...). É uma fonte de arrecadação muito importante pro governo neste ano.
O governo busca arrecadar entre 14 e 20 bilhões adicionais em 2026 com o aumento do imposto de importação sobre produtos como maquinários e eletrônicos.
Da Rádio Senado, Marcella Cunha

