Debatedores defendem regulamentação e falam da precarização do trabalho em telemarketing
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) debateu nesta quinta-feira (26) o projeto (PLS 447/2016) que regulamenta a profissão de operador de telemarketing ou teleatendimento. A proposta foi defendida pelos debatedores, que destacaram a precarização e o adoecimento físico e mental na atividade, com concentração de transtornos, como depressão, ansiedade e burnout, além das doenças da voz. O texto segue em análise na CAS.

Transcrição
A regulamentação da profissão de operador de telemarketing ou teleatendimento foi tema de audiência pública na Comissão de Assuntos Sociais. A proposta, que estabelece piso salarial e melhores condições de trabalho, foi defendida pelos participantes, que destacaram a precarização e o adoecimento físico e mental na atividade.
Dados apresentados pelo Ministério Público do Trabalho mostram que o setor de teleatendimento ocupa a quarta posição nos benefícios previdenciários associados a transtornos mentais, com mais de 43 mil concessões de 2020 a 2024.
Pedro Tourinho de Siqueira, presidente da Fundacentro, instituição voltada a pesquisa de saúde e medicina do trabalho, considera a regulamentação como questão de saúde pública, devido à concentração de transtornos, como depressão, ansiedade e burnout, além das doenças da voz.
(Pedro Tourinho de Siqueira ) “Adotar medidas que promovam a proteção à saúde e à segurança dos trabalhadores,, é uma medida de saúde pública. Além de uma medida que dialoga com o nosso compromisso com o trabalho decente e com o imperativo de que o trabalho não seja o lócus onde o trabalhador adoece,,”
O adoecimento foi associado pelos debatedores às situações de assédio nas empresas e pelos clientes. O presidente do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Luís Carlos Crem, considera necessário buscar um equilíbrio entre trabalhadores e empregadores e ainda afirmou que, hoje, o ambiente de trabalho é menos prejudicial, em relação a anos anteriores.
(Luís Carlos Crem) “Se a gente comparar as empresas de 20 anos atrás com as de hoje - existem exceções -, as empresas não são mais o ambiente degradante que existia antigamente. Existem exceções, mas não é mais o cenário que existia.”
A predominância de mulheres na atividade teve destaque na fala da senadora Leila Barros, do PDT do Distrito Federal.
(Senadora Leila Barros) “Quem, de fato, carrega o setor também: as mulheres, 70%. É incrível esse dado. E
Outro ponto levantado foi o impacto da Inteligência Artificial na atividade, o que foi chamado de robotização do trabalho de telemarketing. O projeto em análise é de 2016 e em razão de maior digitalização no setor, representantes do sindicato trabalhista sugeriram uma atualização do texto. A proposta aguarda relatório do senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, na Comissão de Assuntos Sociais. Sob supervisão de Samara Sadeck, da Rádio Senado, Lana Dias.

