Especialistas pedem novas políticas públicas para crianças com altas habilidades e superdotação
Em audiênica pública sobre crianças e adolescentes com altas habilidades e superdotação nas Comissões de Educação (CE) e de Direitos Humanos (CDH), convidados cobraram políticas públicas específicas, mais estrutura nas escolas, formação de profissionais e apoio às famílias. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou falhas na identificação destes alunos e no atendimento desse público. A presidente da CDH anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir uma política nacional voltada aos superdotados. Uma segunda audiência sobre o tema vai ocorrer na próxima quinta-feira (26).

Transcrição
Com seis anos de idade, Davi Milhomen, de Goiânia, foi um dos participantes da audiência pública das Comissões de Educação e de Direitos Humanos sobre superdotação e altas habilidades.
Davi Milhomen - Que vocês tenham uma noção aí do que que é ser superdotado. É um misto de emoções. Isso acontece porque o nosso cérebro pensa rápido demais. Isso é muito desafiador, porque o nosso cérebro ele quer assimilar tudo ao mesmo tempo e ele pensa rápido demais e também que o nosso corpo e os nossos sentimentos ainda são de criança.
Os participantes da audiência defenderam novas políticas públicas para esses alunos, como a professora Ângela Virgolim, Representante do Instituto VIRGOLIM para Altas Habilidades.
Angela Virgolim – O talento não escolhe o CEP. Ele pode aparecer em qualquer território, em qualquer renda, em qualquer cor de pele, em qualquer cultura, mas a chance desse talento virar competência, realização e contribuição social depende do ambiente. E ambiente em educação significa professor apoiado, escola equipada para enriquecer, gestão comprometida, família orientada e políticas consistentes.
A presidente do Instituto RAISES - Rede de Apoio, Incentivo e Suporte Educacional e Emocional ao Superdotado, Robertha Munique, e mãe de um menino superdotado, destacou a falta de apoio aos pais e responsáveis.
Robertha Munique – É importante ressaltar que uma mãe de um superdotado passa por uma dificuldade e uma dificuldade muito grande, porque você vê o seu filho invisível, você vê o seu filho dentro de um espaço escolar não reconhecido, dentro da sociedade, isso é muito duro, é doído de ouvir.
A pesquisadora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, Denise Fleith, lamentou o baixo número de profissionais especialistas na superdotação e altas habilidades.
Denise Fleith - A gente observa esse também como grande desafio, muito em função desse desconhecimento acerca do que que é o fenômeno, não é? O número limitado de programas e serviços de atendimento ao estudante com altas habilidades.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos, senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, ressaltou a subnotificação que acontece em relação aos estudantes com altas habilidades.
Damares Alves – Enquanto o sistema educacional brasileiro reúne milhões de estudantes na educação básica, apenas algumas dezenas de milhares são oficialmente registrados como público da educação especial na categoria de altas habilidades e superdotação. Existe um déficit estatístico, uma falha estrutural na identificação precoce e no atendimento educacional especializado com impactos diretos ao longo de toda a trajetória escolar e profissional dessas pessoas.
Damares Alves anunciou que os convidados da audiência devem integrar um grupo de trabalho para sugerir uma política pública nacional para superdotados e pessoas com altas habilidades . Da Rádio Senado, Rodrigo Resende.

