Presidente do INSS revela que banco liberou consignados a cerca de 2 mil mortos — Rádio Senado
CPMI

Presidente do INSS revela que banco liberou consignados a cerca de 2 mil mortos

Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito nesta quinta-feira (05), o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que o AgiBank foi a instituição financeira que mais concedeu empréstimos consignados a aposentados e pensionistas mortos. Gilberto também tratou das ações do instituto contra outros bancos que venderam crédito aos beneficiários com irregularidades.

05/02/2026, 19h52 - atualizado em 05/02/2026, 19h57
Duração de áudio: 03:17
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Transcrição
Em depoimento à CPMI, o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que o AgiBank foi a instituição financeira que mais concedeu empréstimos consignados a aposentados e pensionistas mortos. Segundo ele, foram cerca de dois mil casos, em razão da fragilidade dos requisitos de verificação de identidade. O acordo de cooperação técnica da entidade com o INSS foi suspenso, mas Gilberto disse que foi firmado um termo de compromisso para a devolução do dinheiro. Outro banco mencionado foi o PicPay, com a operacionalização do já suspenso Vale+, produto exclusivo da instituição, que antecipava valores da aposentadoria. O acordo firmado era de 225 milhões de reais, mas foram bloqueados 110 milhões e a concessão foi suspensa, por falta de previsão legal, com descontos não autorizados, como afirmou o presidente do INSS. (Gilberto Waller Júnior)"Era para passar um pente fino em tudo que estava sendo descontado no contracheque dos nossos aposentados e pensionistas. E esse programa chamou atenção por não previsão legal. Eu não posso fazer consignação em folha de ninguém se não estiver previsto em lei. Não havia previsão legal." A Crefisa tinha dois tipos de relação com o INSS: o pagamento de benefícios e empréstimo consignado, modalidade suspensa desde junho de 2025. Gilberto revelou que o acordo foi rescindindo depois que investigação revelou baixos números de consignados, mas com a venda de outro tipo de empréstimo, com juros mais altos. Gilberto Waller Júnior disse ainda que, por falta de encaminhamento dos contratos de consignados à Dataprev, havia dificuldade de apuração de eventuais irregularidades. O senador Izalci Lucas, do PL do Distrito Federal, criticou a falta de fiscalização pelo INSS dos contratos de empréstimos dos bancos, por falta de pessoal. (Senador Izalci Lucas)"E a gente percebeu que o INSS continua sem nenhuma condição de fiscalizar nada. Você vê que são milhões de contratos. Então o que está acontecendo hoje é que esses bancos fazem o consignado e já descontam antecipadamente benefícios que muitas vezes não são utilizados pelos aposentados, R$ 800, R$ 500, que acaba, por mais que dizendo que o juros é 1,85, colocando esses descontos ultrapassa 20%, 25% ao mês de juros." Já o deputado federal Rogério Correia, do PT de Minas Gerais, saudou a gestão do INSS pelo ressarcimento dos descontos dos previdenciários. Até agora, foram devolvidos 2,9 bilhões de reais, que segundo ele, serão arcados pelos acusados de fraudes. (Deputado Rogério Correia)"E ali, quem vai pagar a conta serão os golden boys, o Careca do INSS, a Ambec, o Camisotti, o Master, o advogado de sustentação, o pastor Zettel, Vorcaro. Eles pagarão a conta." A próxima reunião da CPMI deve acontecer na próxima segunda-feira, dia 9 de fevereiro. Sob supervisão de Alexandre Campos, da Rádio Senado, Lana Dias.

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