PL ultrapassa PSD e se torna o maior partido do Senado
Às vésperas da abertura dos trabalhos de 2026, a composição partidária do Senado é bem diferente daquela do início dessa legislatura, há três anos. O PL se tornou o maior partido, com 15 senadores, e a bancada feminina ganhou força com a entrada de senadoras suplentes do Nordeste. Entenda por que essas variações acontecem mesmo antes das eleições e que implicações elas podem ter.

Transcrição
As eleições de outubro de 2026 devem mudar a cara do Senado Federal. Cada um dos 27 estados da federação vai eleger dois representantes para a Casa Revisora, o que significa que dois terços das vagas – ou 54 das 81 cadeiras – podem ser renovadas.
Mas o Senado que sair das urnas em 2026 pode não ser o mesmo que você vai encontrar aqui na Rádio ou na TV Senado nos anos seguintes. Assim como o Senado que vai entrar em 2026 não é o mesmo que saiu das urnas em 2022.
Ao longo dos quatro anos que formam uma legislatura, o período que equivale a metade do mandato de um senador, diversos fatores contribuem pra que o Senado vá mudando de perfil. Um deles é a troca de partidos.
De acordo com o consultor legislativo Gilberto Guerzoni, senadores e senadoras não estão sujeitos às regras de fidelidade partidária que valem para deputados e deputadas, que disputam eleições proporcionais.
No caso do senador e dos chefes do Poder Executivo, que são, , os prefeitos, governadores e o presidente da República, esses não são submetidos à fidelidade partidária. Então, os senadores podem mudar de partido quantas vezes quiserem sem perder o mandato.
Então, acompanhe as mudanças
No início dessa legislatura, em 2023, o PSD, partido do então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, era o maior partido do Senado, com 15 membros. Três anos depois, o PL antigiu esse número, com a vinda de Izalci Lucas, do Distrito Federal, ex- PSDB, e Márcio Bittar, do Acre, que saiu do União Brasil. O PSD agora está em segundo, com 14 senadores, depois que perdeu a senadora Daniella Ribeiro, da Paraíba, que foi para o PP.
Em terceiro lugar, segue o MDB, com 10 senadores. O partido perdeu Giordano, agora sem filiação, mas ganhou Alessandro Vieira, de Sergipe, que também deixou o PSDB.
Parece detalhe, mas não é. Isso porque, quanto maior o partido, mais peso político ele tem na Mesa Diretora, na presidência das Comissões, no Colégio de Líderes. É o que explica Gilberto Guerzoni.
No Senado, você tem que ter uma bancada de, no mínimo, três parlamentares para compor uma liderança do ponto de vista administrativo. Quando se tem uma liderança, você tem todo o apoio administrativo para essa liderança, um número significativo de cargos e comissão, uma estrutura administrativa para isso, o gabinete de liderança.
Mas as mudanças vão além da troca de partidos. Alguns senadores e senadoras deixam o Congresso durante o mandato para assumir cargos no Executivo, ou pra se candidatar a cargos públicos, dando lugar aos suplentes.
O PT está em quarto lugar no ranking, com 9 cadeiras – incluindo a do senador pelo Acre Randolfe Rodrigues, que é o atual líder do governo no Congresso. Mas o perfil da representação do PT no Senado mudou: Augusta Brito, do Ceará, e Jussara Lima, do Piauí, assumiram as vagas de Camilo Santana e Wellington Dias, que se tornaram ministros.
A vaga do ministro do STF Flávio Dino, eleito pelo PSB do Maranhão, também foi assumida por uma mulher, a senadora Ana Paula Lobato, movimentos que deram força à bancada feminina. A senadora Augusta Brito, que é a procuradora da mulher do Senado, tem destacado essa diferença.
Agora nós somos 15, daqui a pouco vão ser 16 mulheres aqui no Senado Federal, e a gente vê a necessidade, porque cada uma dessas, apesar de ser um número pequeno, representa a grande maioria da população, que é feminina. Sobretudo a gente precisa ter esse espaço, também aqui no Senado, garantido.
Na próxima reportagem sobre o perfil do Senado, o consultor Gilberto Guerzoni fala sobre as expectativas para o ano eleitoral.
Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

