Benefícios do INSS com valor acima do mínimo terão reajuste menor do que a inflação em 2026
Os benefícios do INSS com valor acima do salário mínimo terão reajuste menor do que a inflação. Diferentemente de quem recebe um salário mínimo, reajustado pelo INPC mais o crescimento do PIB de dois anos antes, quem ganha acima desse valor tem seu benefício reajustado apenas pelo INPC, que, em 2025, ficou abaixo do IPCA, índice que mede oficialmente a inflação no país.

Transcrição
Ao contrário daqueles que recebem o menor valor possível entre os benefícios previdenciários, os que ganham acima de uma salário mínimo verão seu orçamento diminuir, em termos práticos, no ano de 2026. O motivo dessa defasagem é o fato de as duas faixas de valor serem corrigidas com índices diferentes.
Os benefícios equivalentes a um salário mínimo são reajustados pelas regras da nova política de valorização do salário mínimo, que leva em consideração o crescimento do PIB de dois anos antes, somado à taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC Nesse caso, o ganho real é sempre garantido.
Já os que recebem mais do que um salário mínimo têm seus benefícios reajustados apenas com base apenas no INPC, isto é, sem considerar o crescimento do PIB. Nesse caso, nem sempre há ganho real e, para 2026, haverá, ao contrário, perda do poder de compra. Isso acontece porque há dois principais índices de preços no país, ambos medidos pelo IBGE. São eles o IPCA e o INPC. Apesar de o IPCA ser considerado o índice oficial de inflação pelo fato de ser mais amplo, tanto o salário mínimo quanto os benefícios previdenciários são baseados no INPC. Em outras palavras, sempre que o INPC, que vincula os benefícios, for menor do que o IPCA, os aposentados que recebem acima do mínimo terão perda de poder aquisitivo.
O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, destacou os efeitos práticos das regras atuais.
(senador Paulo Paim) "Que aquele aposentado, pensionista que ganha mais que um salário mínimo, digamos que ele ganha 1,5 salário mínimo, ele não ganha o aumento integral da inflação mais PIB. E com isso a ampla maioria, com os anos vão passando a ganhar um salário mínimo. Pode falar com qualquer aposentado que tenha se aposentado há alguns anos. Ele vai dizer: "Eu ganhava cinco, tô ganhando três".
Paim lamentou ainda que um projeto dele que recompõe gradualmente os prejuízos causados por essa distorção, já aprovado pelo Senado, esteja parado na Câmara dos Deputados
(senador Paulo Paim) "A recomposição do benefício dos aposentados já foi aprovada pelo Senado, está na Câmara de Deputados. Estabelece um índice de correção previdenciária a ser aplicado de forma progressiva para ir recuperando. Ninguém quer que seja tudo num dia só ou num mês só ou mesmo num ano só. A ideia é que em 5 anos os benefícios previdenciários voltem a ter valores equivalentes à aqueles do período inicial dos aposentados e pensionistas".
A diferença entre a inflação e o aumento dos benefícios é de 0,36 ponto percentual. Para quem recebe o teto do INSS, por exemplo, isso significa uma perda de 350 reais em poder de compra neste ano. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

