Livro debate o futuro do trabalho com o avanço da inteligência artificial
A inteligência artificial já influencia decisões cotidianas e transforma o mundo do trabalho. O livro 'Híbridos', do filósofo e cientista de dados Ricardo Cappra, propõe uma reflexão sobre a integração entre humanos e máquinas e defende o uso consciente da tecnologia, preservando o pensamento crítico e a autonomia humana.

Transcrição
A inteligência artificial já faz parte da nossa rotina, mesmo quando a gente não percebe. Presente no trânsito, no consumo e até nas relações humanas, a IA vem transformando a forma como pensamos, trabalhamos e tomamos decisões.
Esse é o ponto de partida do livro 'Híbridos: o futuro do trabalho entre humanos e máquinas', do filósofo e cientista de dados Ricardo Cappra. Na obra, o autor defende que humanos e algoritmos já vivem uma relação de interdependência.
"A gente não percebe que a IA tá presente em todas nossas atividades do dia a dia. Quando a gente se desloca no trânsito, quando a gente fala com uma outra pessoa, quando a gente consome um produto, é porque ela é invisível. Inclusive, eu faço um exercício com as pessoas: 'Tá, desenha então: o que é a inteligência artificial?' E as pessoas não conseguem, elas não conseguem transformar isso num objeto, porque ela não é um robô, um bit byte, é muito difícil a gente representar. Isso faz com que isso se torne invisível e a gente não perceba essa interdependência entre humano, dado e máquina, que é constante."
Segundo Ricardo Cappra, essa convivência cada vez mais intensa cria o que ele chama de “seres híbridos”, quando já não é possível separar completamente o pensamento humano da intervenção dos dados e dos algoritmos.
"O ser híbrido é isso, né? Ele nasce de uma conjuntura onde a gente tem um processo cognitivo do pensar misturado com o IA e não consegue separar uma coisa de outra. A gente não sabe onde começa a intervenção da IA, dos dados na nossa vida e onde termina, ou seja, onde começa o nosso processo cognitivo natural.
Diante desse cenário, o autor destaca que o desafio não é competir com a tecnologia, mas aprender a usá-la de forma consciente, preservando características essencialmente humanas, como o pensamento crítico, a criatividade e a empatia. Para ele, o futuro do trabalho passa por manter o controle das decisões, usando a inteligência artificial como apoio e não como substituição. Da Rádio Senado, sob supervisão de Adriano Faria, Júlia Fernandes.

