Procuradora da Mulher do Senado comenta pesquisa sobre violência de gênero — Rádio Senado
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Procuradora da Mulher do Senado comenta pesquisa sobre violência de gênero

Para a senadora Augusta Brito, do PT do Ceará, que é a atual procuradora da mulher do Senado, o dado mais impactante da última Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher do DataSenado é o que mostra que os filhos e filhas são as testemunhas mais frequentes da violência doméstica. De acordo com a senadora, o aumento no índice de violência psicológica tem um lado positivo, já que indica uma tomada de consciência.

26/12/2025, 12h09
Duração de áudio: 02:49
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Transcrição
A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, divulgada recentemente pelo DataSenado, mostrou que 71% dos casos de violência contra a mulher que aconteceram em 2025 foram testemunhados – a maior parte deles, pelos filhos e filhas. Para a senadora Augusta Brito, do PT do Ceará, que é a atual procuradora da mulher do Senado, a pesquisa impacta por explicitar em números a presença das crianças nessa cena. (senadora Augusta Brito) "A pesquisa tá provando o que a gente acreditava que acontecia, mas a gente não tinha como provar, pra ser tomada uma atitude para que as políticas públicas sejam construídas de uma forma diferente, pra também respaldar especialmente as crianças, que veem ali a violência acontecendo dentro da sua casa, e muitas vezes não só a violência física, psicológica, mas também chegando ao feminicídio. Quantos órfãos do feminicídio presenciaram todos os tipos de violência até chegarem na violência máxima, né?" A senadora chamou a atenção para a importância de se fortalecer as políticas públicas de acolhimento a essas mulheres e crianças, como a Casa da Mulher Brasileira, presente em sete capitais do Brasil, ou a Lei dos Órfãos do Feminicídio, que garante um salário mínimo mensal às crianças e adolescentes sobreviventes da violência, até completarem 18 anos. Para Augusta, porém, o grande número de casos de violência psicológica, apontado por 88% das entrevistadas na pesquisa, tem um lado positivo, já que sinaliza uma tomada de consciência. (senadora Augusta Brito) "É ela se perceber dentro daquela violência, daquilo que não está lhe fazendo bem como uma violência, que muitas vezes foi naturalizada. Até ela perceber que tá sofrendo violência psicológica, que é uma das piores, também, que vai matando aos poucos, que vai lhe tirando do ambiente social, do ambiente de trabalho, da vida pública como um todo (...). Porque elas não sabem o que é violência. Infelizmente pensa que a violência é só a violência física, e nós sabemos que existem tantas outras que vem aí pra poder chegar até a física, né?" A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, ouviu mais de 20 mil mulheres em todos os estados do Brasil. A pesquisa completa está disponível em senado.leg.br/datasenado. Da Rádio Senado, Raíssa Abreu.

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