Projeto proíbe venda de cigarros em escolas, supermercados e padarias — Rádio Senado

Projeto proíbe venda de cigarros em escolas, supermercados e padarias

LOC: A COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS DEBATEU NA MANHÃ DESTA TERÇA-FEIRA PROJETO QUE PROÍBE A VENDA DE CIGARROS EM ESCOLAS, SUPERMERCADOS, PADARIAS E RESTAURANTES.

LOC: A DIVISÃO DE OPINIÕES MARCOU A AUDIÊNCIA, COMO VOCÊ CONFERE NA REPORTAGEM DE ROBERTO FRAGOSO. 

(Repórter) De um lado, defensores da saúde pública com os números dos gastos que as doenças relacionadas ao fumo trazem para o País. De outro, representantes da indústria do tabaco e dos pontos de venda, argumentando a favor da legalidade do produto no Brasil e pela importância para a economia. O coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, Luiz Carlos Correa da Silva, defendeu que a exposição e a oferta dos produtos em qualquer estabelecimento têm que mudar.
 
(Luiz Carlos Correa da Silva) Eu concebo o tabagismo como uma doença, que tem como principal característica a dependência da nicotina, mas que no entanto existem muitos outros fatores relacionados com essa doença. Fatores psicológicos, comportamentais, culturais. E tem um fator que eu diria, a indução continuada de uma mídia às vezes quase invisível.
 
(Repórter) Carlos Fernando Costa Galant, da Associação Brasileira da Indústria do Fumo, disse que a lei atual já conta com uma série de restrições, que só faltam ser regulamentadas. Ele destacou que a legislação brasileira para o cigarro é das mais rígidas do mundo, e que acabar com os pontos de venda pode incentivar o produto ilegal.
 
(Carlos Fernando Costa Galant) Nós já temos até uma preocupação muito séria com o mercado ilegal advindo do Paraguai, que está cada vez num índice maior. São produtos que não tem nenhuma inspeção sanitária.

(Repórter) Já Clayton Faria Machado, presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Brasília, argumentou que pequenos empresários têm uma parcela significativa do faturamento na venda do cigarro.
 
(Clayton Faria Machado) Não se iludam, não vai ser essa lei que vai fazer com que o cidadão que consome cigarro deixe de consumir. Tudo bem, eu não sou médico, não estou discutindo se cigarro faz bem ou se faz mal. Eu estou discutindo o direito da minha base comercializar um produto que o governo aceita ser industrializado.
 
(Repórter) O autor do projeto, Paulo Davim, do PV do Rio Grande do Norte, reconheceu as perdas para o setor. Mas acredita que a sociedade deve se adaptar para acabar com os malefícios do tabaco.
 
(Paulo Davim) A discussão aqui, ela paira sobre um aspecto: o econômico. Porque eu não acredito que nenhum dos debatedores tenham dúvidas, por menor que seja, quanto aos malefícios do cigarro. Eu tenho absoluta certeza que todos os debatedores aqui não gostariam de ver o seu filho fumando cigarro. É dolorido? É. Mais cedo ou mais tarde isso vai ter que acontecer. A sociedade evolui. Antigamente se fumava muito. Era charmoso fumar. Houve uma mudança de consciência.

(Repórter) O projeto está em análise na Comissão de Assuntos Sociais. De lá, será analisado pela Comissão de Meio Ambiente e Defesa do Consumidor antes de ser enviado para a Câmara dos Deputados.
14/05/2013, 02h13 - ATUALIZADO EM 14/05/2013, 02h13
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